Liberais do Egito formam coalizão para fazer frente a islâmicos

Grupos políticos liberais e um partido tradicional islâmicos lançaram na segunda-feira a coalizão "O Bloco Egípcio" para se opor aos poderosos islâmicos na eleição parlamentar de novembro.

YASMINE SALEH, REUTERS

15 de agosto de 2011 | 15h03

Muitos egípcios têm expressado preocupação de que os islâmicos, incluindo a Irmandade Muçulmana -- a força política mais bem organizada do país --, possam tentar estabelecer um Estado islâmico se conseguirem garantir a maioria no Parlamento.

"Nosso objetivo é dizer muito claramente que acreditamos que o novo Egito tem de ser um Estado democrático civil", disse Osama El Ghazali Harb, fundador do Partido da Frente Democrática, um grupo de oposição no governo do ex-presidente Hosni Mubarak, deposto em fevereiro.

A coalizão de 15 grupos concordou em trabalhar em conjunto para levantar fundos para a eleição, apresentar uma lista de candidatos comuns e fazer campanha juntos.

Eles também endossaram uma proposta do governo do primeiro-ministro Essam Sharaf, pedindo por um "decreto constitucional" que evite que os islâmicos monopolizem a redação de uma nova Constituição, caso eles obtenham a maioria nas eleições.

O analista Nabil Abdel Fattah, do Centro para Estudos Políticos e Estratégicos al-Ahram, disse que a coalizão foi uma "tentativa final de forças políticas diversas" de formar um grupo de oposição para fazer frente aos islâmicos nas eleições.

"Essa aliança poderia ter uma chance se agir rapidamente e usar (em seu benefício) o medo cada vez maior da população com relação à Irmandade e aos objetivos dela", disse ele.

Além da Frente Democrática, a coalizão inclui o Al Masreyeen Al Ahrar (Egípcios Livres), um partido liberal liderado pelo magnata das telecomunicações cristão Naguib Sawiris, o Sindicato dos Fazendeiros e o Partido da Libertação Sufi, de islâmicos tradicionais.

O partido liberal Wafd também se uniu à coalizão na segunda-feira após advertir na semana passada que poderá pôr fim à sua aliança com a Irmandade por causa das divergências com relação à nova Constituição.

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