Liberal britânico resiste a ataque e seduz eleitor

Pesquisas realizadas ontem indicam nova vitória de Nick Clegg em debate na TV, apesar da acusação de irregularidades na campanha de seu partido

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

O político mais crítico em relação à atual relevância internacional da Grã-Bretanha vem resistindo a ataques e se consolidando como um fator decisivo nas eleições legislativas do dia 6. Depois de alçado ao estrelato por seu desempenho no primeiro debate televisivo, realizado há dez dias, Nick Clegg, líder do Partido Liberal Democrata, consolidou sua ascensão.

Pela segunda vez consecutiva, obteve a imagem de mais bem preparado entre os pretendentes a Downing Street - concorrem com ele o líder do Partido Conservador, David Cameron, e o atual premiê e candidato trabalhista, Gordon Brown.

A constatação foi feita ontem a partir de um sistema de média dos resultados das pesquisas eleitorais. Dentre as cinco sondagens realizadas na noite de quinta e na madrugada de sexta-feira com eleitores que assistiram ao debate, 33,8% consideraram Clegg como o "vencedor". Em segundo lugar, ainda de acordo com a média, veio Cameron, visto como o melhor por 32,8%. Em último apareceu Brown, preferido de 27,6%. A média apontou o mesmo resultado constatado pelo instituto ICM Poll.

Embora a vantagem do liberal tenha caído em relação ao resultado do primeiro debate, no qual Clegg obteve 51% da preferência dos espectadores, a boa performance mostrou que o "terceiro homem" foi capaz de resistir à enxurrada de denúncias publicadas nos jornais de Londres.

Segundo a imprensa, Clegg teria recebido doações de campanha em sua conta particular. Além disso, teria ofendido a memória da vitória britânica na 2.ª Guerra, ao afirmar que os ingleses vivem de um "senso de superioridade deslocado" da realidade em relação a países como a Alemanha, cuja economia teria alcançado índices de produtividade superiores.

O estilo crítico em relação à Grã-Bretanha também foi levado ao ar no debate. "Nós somos mais fortes juntos do que separados", afirmou, ao defender a aproximação de seu país da União Europeia. A proposta contrastou com as posições de seus rivais e bateu de frente com a opinião pública britânica, cuja maioria é eurocética.

Para Ben Page, diretor executivo do instituto de pesquisas Ipsos Mori, o fim do fator surpresa não pesou contra o liberal. "Mesmo que a novidade estivesse diminuindo, Clegg atuou com mais força. Ele não ganhou de forma tão clara quanto no primeiro debate, mas está se segurando bem."

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