Liberdade política no mundo diminuiu em 2008, diz relatório

As liberdades políticas no mundo diminuíram em 2008 pelo terceiro ano consecutivo, disse uma ONG norte-americana na terça-feira, destacando negativamente os casos da Rússia e da Grécia, e positivamente os de Iraque e Malásia, onde o pluralismo ganhou espaço. De acordo com o relatório anual da Freedom House ("Casa da liberdade"), as eleições de 2008 na Rússia não foram "nem livres nem limpas", e países vizinhos, sob a influência de Moscou, também reprimiram a dissidência depois de viverem revoluções pacíficas contra regimes autoritários. A Grécia perdeu pontos por causa dos distúrbios de dezembro e da "incapacidade" do governo em controlá-los, disse a ONG em nota divulgada numa entrevista coletiva em Taiwan. Já o Iraque, apesar dos anos de turbulências desde a invasão norte-americana, avançou no ranking graças a melhorias na segurança e a uma maior participação política dos muçulmanos sunitas. A Malásia, por sua vez, mereceu elogios por causa do novo impulso político da oposição nas eleições nacionais. A Freedom House apresentou o relatório em Taipé porque considera Taiwan uma região livre na Ásia, onde quer difundir sua mensagem, segundo os organizadores locais. De acordo com a lista, há 89 países e territórios "livres", e 42 "não livres". Repetindo a posição do ano anterior, a Finlândia foi considerada o país mais livre entre os 193 do ranking, e a Coreia do Norte ficou em último. O Brasil foi considerado um país "livre," com nota 2 (em que 1 representa a liberdade máxima, e 7 a repressão máxima). "Embora os reveses de 2008 não tenham representado declínios substanciais para a maioria dos países, tais reveses foram numerosos e afetaram a maioria das regiões", disse o grupo, cujo ranking aponta piora em 34 países e melhora em 14. A China ficou perto da "lanterna", porque, ao invés de melhorar a situação dos direitos humanos e da democracia antes da Olimpíada de 2008, mostrou ao mundo "um espetáculo totalitário autoconfiante". Christopher Walker, diretor de estudos da Freedom House, disse que a crise econômica global pode ameaçar os direitos e liberdades em lugares onde não há "instituições democráticas" ou "válvulas de segurança". "A crise financeira global vai piorar com o tempo. Então 2009 será um desafio nesse sentido," disse ele na entrevista coletiva.

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