Liberdade religiosa no Egito é 'bastante tênue', diz Hillary

A liberdade religiosa no Egito parece "bem tênue", e seu governo é incapaz de punir com rigor os responsáveis por crimes sectários, disse nesta segunda-feira a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton.

ARSHAD MOHAMMED, Reuters

30 de julho de 2012 | 19h17

As declarações ocorreram a propósito da divulgação pelo Departamento de Estado dos EUA de um relatório anual que aponta também uma forte deterioração da liberdade religiosa na China, onde a interferência oficial em monastérios budistas tibetanos contribuiu para uma dezena de autoimolações.

O texto aponta também uma elevação mundial do antissemitismo, e um crescente uso de leis antiblasfêmia para restringir os direitos de minorias religiosas.

O relatório, relativo a 2011, deu também especial atenção aos países que tiveram governos destituídos na chamada Primavera Árabe - caso do Egito, onde Hosni Mubarak, tradicional aliado dos EUA, foi deposto.

"Estou preocupada com que o respeito pela liberdade religiosa (no Egito) seja bastante tênue", disse Hillary em resposta a uma pergunta, após discursar numa instituição de Washington. Segundo ela, a violência sectária cresceu desde a deposição de Mubarak, mas as autoridades são inconsistentes ao persegui-la.

"Isso então passa uma mensagem à comunidade minoritária em particular, mas para a comunidade como um todo, de que não haverá nenhuma consequência (para a violência)", disse ela.

Neste ano, um político ligado à Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, foi eleito presidente do país. Cristãos coptas preocupados com a ascensão dele realizaram recentemente um protesto em frente ao hotel onde Hillary se hospedava no Cairo.

O relatório abrange apenas o ano passado, não representando, portanto, uma avaliação do governo de Mursi no mais populoso país árabe.

Mas o texto cita, entre outros, um incidente de setembro de 2011 no qual forças de segurança agrediram manifestantes no Cairo, matando 25 pessoas e ferindo 350, a maioria cristãos coptas.

"Até agora, autoridades governamentais não foram responsabilizadas por suas ações, e houve indícios no começo de 2012 de uma crescente emigração de coptas", disse o texto.

Segundo o relatório, a situação da liberdade de credo piorou também no Irã e no Paquistão no ano passado.

(Reportagem de Arshad Mohammed)

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