Libéria afirma que pode processar homem que viajou aos EUA com Ebola

Libéria afirma que pode processar homem que viajou aos EUA com Ebola

Thomas Eric Duncan respondeu um questionário após deixar o aeroporto dizendo que não teve contato com qualquer vítima do Ebola

BATE FELIX, REUTERS

02 de outubro de 2014 | 17h19

A Libéria pode processar um cidadão que viajou para os Estados Unidos e foi diagnosticado com Ebola por ter colocado informações falsas em seus documentos de viagem, disse a autoridade aeroportuária do país do oeste africano nesta quinta-feira.

Binyah Kesselly afirmou que o paciente liberiano, Thomas Eric Duncan, respondeu um questionário ao deixar o aeroporto de Monróvia dizendo que não teve contato com qualquer vítima do Ebola e que não teve nenhum sintoma da doença.

"Perguntei para a ministra da Justiça se podemos processar as pessoas que forneceram informações falsas em documentos, uma atitude em que você deixa, intencionalmente e ciente do que está fazendo, a vida de outras pessoas em risco... Ela acredita que podemos", disse Kesselly.

"Esperamos que ele tenha uma recuperação rápida. Aguardamos a sua chegada na Libéria: estamos abertos a processar. Dar uma informação falsa, sabendo disso, não é brincadeira", acrescentou Kesselly.

O governo da Libéria disse que Duncan não declarou que ajudou a sua vizinha Marthalene Williams depois que ela ficou em estado crítico no dia 15 de setembro. Duncan tentou encontrar um carro para levá-la ao hospital, mas não conseguiu.

"Ele a levou em um carrinho de mão e procurou ajuda de um amigo, ligando no seu escritório pedindo ajuda para levar a sua vizinha até uma unidade de saúde", disse o ministro das Comunicações Lewis Brown em conferência de imprensa. "Mas agora sabemos que ela faleceu no carrinho de mão enquanto era levada para a unidade de saúde."

Duncan ficou doente apenas alguns dias após chegar aos Estados Unidos e procurou tratamento no Hospital Presbiteriano do Texas na semana passada, mas foi dispensado, mesmo depois de ter avisado a enfermeira que tinha chegado recentemente da África Ocidental.

No domingo, ele precisou de uma ambulância para retornar ao mesmo hospital, no qual ele foi admitido e testou positivo para o Ebola.

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, disse em entrevista para a Canadian Broadcasting Corp. na quinta-feira, que ela estava irritada com Duncan pelo que fez, especialmente ao ver o quanto os Estados Unidos vêm fazendo para ajudar a combater a crise.

"O fato de que ele sabia (que poderia ser uma vítima do vírus) e que deixou o país é imperdoável, falando francamente."

Sirleaf disse que quer que Duncan seja deportado para Libéria depois de ser tratado e que "nós teremos que lidar com ele", sem dar nenhum detalhe.

Ele foi o segundo cidadão da Libéria a levar o Ebola a outro país por viagens aéreas depois que Patrick Sawyer levou o vírus para a Nigéria em julho. Oito pessoas morreram no surto da doença na nação mais populosa da África.

Contudo, Kesselly disse que enquanto Sawyer já vinha mostrando sintomas do Ebola quando deixou a Libéria -- e, portanto, sabia que estava colocando outros passageiros em risco -- Duncan não tinha nenhum sintoma quando embarcou.

(Reportagem adicional de David Ljunggren em Ottawa)

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