Libéria improvisa equipamentos no combate ao ebola

O surto de ebola na África Ocidental matou 1.900 pessoas e autoridades alertaram que o tempo para controlar a situação está correndo

Estadão Conteúdo

04 de setembro de 2014 | 18h05

Mesmo com promessas de mais equipamentos, enfermeiros em um centro de tratamento na Libéria têm de usar pedaços de jalecos para cobrir seus rostos a fim de se protegerem do ebola, informou uma enfermeira nesta quinta-feira.

O surto de ebola na África Ocidental matou 1.900 pessoas e autoridades alertaram que o tempo para controlar a situação está correndo. Na Nigéria, onde previamente os casos estavam relativamente contidos, há uma corrida para localizar pessoas que podem ter sido expostas à doença nas últimas semanas.

O maior obstáculo para conter o surto é a grande carência de equipamentos de proteção para agentes de saúde, em alto risco de contaminação devido a seu contato próximo com doentes. Profissionais de saúde representam cerca de 10% das mortes até o momento. A maior parte dos equipamentos precisa ser destruída após o uso, de modo que as enfermarias precisam ser abastecidas constantemente.

Uma enfermeira no hospital de Monróvia, capital da Libéria, disse que ela e seus colegas precisam constantemente cortar os próprios uniformes e colocá-los na cabeça. Sem material para protegê-los, seus olhos queimam devido ao cloro, usado para desinfetar a enfermaria.

A enfermeira liberiana disse que o medo de ser infectado é diário. "Quando você passa por isso e volta para casa, você deita na cama e se pergunta: ainda estou segura? Ou eu contraí a doença?", relatou.

A Libéria foi fortemente atingida pelo atual surto, com o maior número de mortes. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que coordena diversos centros de tratamento de ebola, disse na última semana que sua clínica em Monróvia está lotada de pacientes e que os médicos não têm mais capacidade de aplicar tratamentos intravenosos.

Organizações internacionais pediram que mais equipamentos sejam entregues, argumentando que é difícil convencer mais profissionais de saúde a trabalharem no surto sem prometer que eles serão protegidos. Fonte: Associated Press.

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