Libertação chama a atenção para os que ainda estão presos

O anúncio feito na semana passada pelo governo cubano da libertação de 52 prisioneiros políticos não contribuiu para calar os mais duros críticos da ilha, que indagam ao presidente Raúl Castro: "E os outros?" O número exato de pessoas que continuam presas em Cuba por causa de suas opiniões políticas varia, dependendo de quem faz a contagem. A Anistia Internacional afirma que restará apenas um prisioneiro de consciência confirmado em Cuba, se o governo cubano cumprir sua promessa de soltar todos os 52 nos próximos meses. Trata-se do advogado Rolando Jiménez Posada, e a organização de defesa dos direitos humanos pediu a Cuba que o solte imediatamente também.

Cenário: Marc Lacey, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

Antes do anúncio da recente decisão, a Comissão Cubana pelos Direitos Humanos, grupo independente tolerado na ilha, mas não reconhecido, contou 167 prisioneiros políticos, o que é considerado o menor número desde a Revolução de 1959, com a qual Fidel Castro chegou ao poder. Se todos os 52 forem soltos, restarão 115.

Mas, segundo outras organizações, número é muito maior. O Human Rights Watch não o especifica exatamente, mas inclui em seu cálculo dezenas de pessoas que foram presas nos últimos anos pelo vago crime cubano de "periculosidade". Alguns ex-presos afirmam que há um elemento político comum em todas essas detenções em Cuba: o governo não permite um representante legal adequado aos que quer isolar. Segundo eles, o número pode chegar a milhares.

"Se a tirania dos Castros realmente quisesse fazer um gesto de boa vontade, libertaria todos os que estão presos em seus porões", disse Miguel Sigler Amaya, um ativista que vive em Miami, mas passou dois anos em uma prisão cubana por "desobediência" e "resistência". Ele afirma que milhares de cubanos estão detidos por acusações igualmente nebulosas. Um de seus irmãos, Ariel, preso político, foi solto no mês passado após adoecer na prisão, e outro, Guido, está entre aqueles cuja soltura está prevista.

Os irmãos, jornalistas , foram presos em março de 2003 em uma ação repressiva contra os dissidentes, conhecida como Primavera Negra. Eles foram presos por várias acusações e condenados em processos sumários a portas fechadas. Suas penas variaram de 6 a 28 .

Por outro lado, o governo cubano afirma que não tem nenhum prisioneiro político. O ex-presidente Fidel Castro, que deixou o poder em meados de 2006, admitiu que tinha milhares de prisioneiros de consciência, décadas atrás. Mas assegurou nos últimos anos que nas prisões cubanas há apenas criminosos comuns e pessoas que agiram de modo ilegal como agentes pagos dos EUA. Um dos motivos de dados tão discrepantes é a definição exata de prisioneiro político. Outro motivo é que o governo cubano não permite que a Comissão Internacional da Cruz Vermelha visite suas prisões.

É JORNALISTA DO "NEW YORK TIMES"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.