Libertação de Johnston é mensagem ao mundo, diz Hamas

Grupo islâmico pede cooperação e apoio de comunidade internacional em Gaza

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h27

O Hamas afirmou nesta quarta-feira, 4, que a libertação do jornalista da BBC Alan Johnston, seqüestrado durante mais de três meses na Faixa de Gaza, é "uma mensagem ao mundo" para que comece a cooperar com esse movimento islâmico. O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Sami Abu Zuhri, disse também que a libertação de Johnston - que o grupo afirma ter sido possível graças a sua intermediação - "comoveu" a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e é uma mensagem à comunidade internacional e a Israel para que negociem com o movimento. "O Hamas está preparado para colocar fim à retenção do soldado israelense Gilad Shalit, se Israel estiver disposto a definir uma troca de prisioneiros", afirmou o porta-voz. Abu Zuhri disse que as Brigadas de Ezedin al-Qassam, braço armado do grupo, e a Força Executiva leal ao Hamas são as forças responsáveis de manter a segurança e a ordem na Faixa de Gaza. O Hamas assumiu o controle das instituições de segurança e da ANP na Faixa de Gaza há três semanas, em um levante armado contra elementos vinculados ao movimento nacionalista Fatah, liderado pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas. O porta-voz foi mais longe e indicou que a libertação de Johnston, após ter ficado 114 dias seqüestrado pelo Exército do Islã, mostra que o Hamas cumpre suas promessas. Insistiu também em que o grupo defende os valores democráticos e a liberdade de imprensa. Abu Zuhri acrescentou que, por estas razões, a comunidade internacional estará errando se continuar boicotando e isolando o Hamas. Reconhecimento O governo britânico reconheceu o "trabalho crucial" que o Hamas teve na libertação do jornalista da rede "BBC" Alan Johnston, mas pediu ao movimento islâmico que apóie os princípios do Quarteto de Madri. Um porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse nesta quarta que a posição do governo não mudou, já que solicita ao Hamas que aceite o Quarteto, formado pela ONU, União Européia, Estados Unidos e Rússia. "A política em relação ao Hamas não mudou. O que esperamos deles não mudou, mas reconhecemos o trabalho crucial desempenhado pelo Hamas" na libertação de Johnston, insistiu o porta-voz oficial. O Quarteto pediu ao Hamas que renuncie à violência, aceite o Estado de Israel, reconheça a existência de tratados e acordos e aceite o plano de paz conhecido como Mapa do Caminho.

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