Libertação de jornalista revela divisão no Irã

De acordo com analistas, líderes iranianos estariam atordoados com diálogo proposto pelo governo dos EUA

Nazila Fathi e Mark Landler, THE NEW YORK TIMES, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

A jornalista americana Roxana Saberi - sentenciada a oito anos de prisão por espionagem no Irã - foi libertada na segunda-feira. A notícia foi uma reviravolta legal que retirou um obstáculos para o diálogo entre Teerã e Washington, mas que também mostra a divisão entre os líderes do regime iraniano.Roxana estava presa desde janeiro, mas um tribunal de recursos derrubou a sentença um mês depois que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, escreveu uma carta pedindo à corte que fosse justa na revisão do caso.Autoridades americanas dizem que o tratamento dado ao caso mostra a divisão existente no Irã sobre como reagir à abertura recente proposta por Obama. Segundo analistas, a decisão revela também detalhes da política doméstica iraniana, um mês antes de Ahmadinejad enfrentar uma eleição decisiva."Os que estão tentando se aproximar dos EUA venceram", disse, sem se identificar, um funcionário graduado da administração americana. "Não haveria nenhuma grande iniciativa do novo governo com relação ao Irã se esse caso não fosse resolvido."Roxana, de 32 anos, vivia no Irã desde 2003 e trabalhava como repórter independente para a National Public Radio e para a BBC. Ela foi detida por comprar uma garrafa de vinho - o que é ilegal no Irã -, mas, em seguida, também foi acusada de trabalhar sem credencial de imprensa. Por fim, foi acusada de espionagem.Autoridades americanas e analistas acreditam que a prisão de Roxana teve motivação política no momento em que o governo de Obama está estendendo a mão para o Irã após quase três décadas de hostilidade. Segundo alguns especialistas, o regime iraniano tentou usar a prisão de uma jornalista para ganhar margem de manobra nas negociações com os EUA.No entanto, com Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, mergulhando no caso de Roxana, o custo político de mantê-la em cativeiro poderia ter se tornado alto demais. Ahmadinejad tentará a reeleição em 12 de junho. A carta que enviou ao tribunal foi a primeira vez que ele interferiu em um assunto do Judiciário durante os quatro anos de seu mandato. Analistas disseram que suas perspectivas eleitorais melhorariam se ele conseguisse avançar nas negociações com os EUA antes da eleição.Os EUA já fizeram diversos gestos para o Irã: da mensagem de saudação de Ano Novo ao povo iraniano, gravada por Obama, ao anúncio feito pela Casa Branca de que participaria, junto com outras grandes potências mundiais, das negociações com Teerã sobre seu programa nuclear.

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