Libertação de Sakineh é colocada em dúvida por programa de televisão

Comercial afirma que iraniana confessará crime em rede nacional; ONG havia anunciado soltura

estadão.com.br

09 de dezembro de 2010 | 20h43

Televisão estatal iraniana divulgou fotos da iraniana em liberdade.

 

LONDRES - Uma ONG de direitos humanos divulgou nesta quinta-feira, 9, a notícia de que a iraniana Sakineh Mohamadi Ashtiani, condenada à morte por adultério e cumplicidade na morte do marido, teria sido libertada e disseminou fotos dela e, liberdade e junto de seu filho. Um comercial chamando para um programa a ser exibido na sexta-feira no Irã, porém, desmente a suposta libertação de Sakineh, que não foi confirmada pelas autoridades iranianas.

 

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A presidente do Comitê Internacional Contra Execuções, Mina Ahadi, afirmou que a iraniana havia sido libertada, embora também não tivesse confirmações. Além de Sakineh, seu filho, Sajjad Ghaderzadeh, seu advogado, Javid Houtan Kian, e dois jornalistas teriam sido libertados.

 

Nesta quinta, porém, após a divulgação das fotos por um canal de televisão iraniano, passou a circular um comercial de um programa especial sobre a iraniana a ser exibido na sexta-feira.

 

Inicialmente, a expectativa era de que a informação sobre a libertação seria confirmada pelas autoridades iraniana. Segundo o jornal britânico the Guardian, porém, a propaganda mostra Sakineh confessando o crime e dizendo que planejou a morte do marido.

 

Segundo o diretor da campanha internacional pelos direitos humanos no Irã, Hadi Ghaemi, "a notícia foi vista na internet, mas não pode ser confirmada de forma independente", de acordo com o jornal espanhol El País.

 

O programa será exibido às 20h35 locais do Irã (15h35 em Brasília). O governo iraniano não se posicionou sobre o assunto. As alegações da ONG foram feitas com base na divulgação das fotos, que mostram Sakineh e seu filho em sua casa em Osku, no Azerbaijão.

 

O caso

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Ela foi condenada a 99 chibatadas. Depois, esta pena foi convertida em morte por apedrejamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

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A sentença de apedrejamento foi suspensa, mas ainda pode ser retomada pela Justiça. Um tribunal de apelações acrescentou ao caso a acusação de conspiração para o assassinato do marido, da qual ela continua condenada a morte por enforcamento.

 

O Irã raramente realizou execuções por apedrejamento nos últimos anos. Em 2009, porém, o país executou 388 pessoas, ficando atrás apenas da China, segundo dados da ONG Anistia Internacional. A maioria delas foi enforcada.

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