Libertado, diplomata iraniano diz ter sido torturado no Iraque

Um diplomata iraniano mantido por quase dois meses em cativeiro no Iraque disse nesta quarta-feira, 11, que foi interrogado e torturado por seus seqüestradores, entre os quais haveria um norte-americano ligado à embaixada dos EUA. Jalal Sharafi foi levado de cadeira de rodas e com soro a uma entrevista coletiva. Ele não repetiu os comentários prévios à imprensa local de que teria sido interrogado pela CIA, mas mostrou cicatrizes que seriam conseqüência do seu drama. Sharafi disse que às vezes era blindado, amordaçado e ameaçado com simulações de execução. Seus médicos disseram que ele sofreu danos físicos e psicológicos. Os Estados Unidos negaram qualquer envolvimento no desaparecimento do diplomata, ocorrido em 4 de fevereiro. Sharafi foi solto em 3 de abril, pouco antes da libertação de 15 marinheiros britânicos que passaram 13 dias detidos no Irã sob acusação de invasão das suas águas territoriais. Autoridades britânicas, norte-americanas e iranianas negam que tenha havido relação entre as libertações do diplomata e dos marinheiros, que também disseram ter sofrido maus-tratos nas mãos dos iranianos. Mas o primeiro jornalista iraniano a intervir na entrevista coletiva tratou de correlacionar os dois casos. "Lamento muito que os soldados de um país que se diz o principal administrador da liberdade tenha feito isso a vocês, enquanto os soldados britânicos deixaram o Irã em ótimas condições", afirmou. Em suas primeiras declarações à imprensa iraniana, Sharafi disse que havia sido torturado "sob supervisão da CIA". Questionado sobre como sabia disso, ele afirmou: "Embora eu não saiba o idioma inglês, por intermédio do tradutor árabe eu descobri que ele era norte-americano. Ele disse que tinha conexão com a embaixada dos EUA". Segundo ele, a presença do norte-americano prenunciava "torturas duras", como chibatadas com fios nos pés, para que ele confessasse que o Irã interfere no Iraque - uma acusação que Teerã rejeita. O diplomata disse ter sido levado para vários locais do Iraque. Em um deles, perto do aeroporto de Bagdá, havia eletricidade 24 horas por dia, enquanto a maior parte da capital tem apagões diários, o que mostra que os seqüestradores não eram "um mero grupo terrorista". De acordo com ele, autoridades iraquianas informaram ao Irã que "as pessoas que me seqüestraram eram agentes do departamento de inteligência do Iraque". Sharafi agradeceu as autoridades iraquianas por sua libertação, inclusive o chanceler Hoshiyar Zebari, que há alguns dias declarou não saber quem havia sequestrado o diplomata.

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