Libertados dois dirigentes oviedistas detidos no Paraguai

A Justiça paraguaia confirmou hoje ter ordenado a libertação de dois dirigentes políticos partidários do ex-general golpista Lino Oviedo, que organizaram as manifestações antigovernamentais de ontem. Os líderes Julio César Vasconcellos e Bernardino Cano Radil foram detidos após a manifestação de apoio a Oviedo, que começou na segunda-feira à noite, na qual seus seguidores exigiram a renúncia do presidente Luis González Macchi. Ambos ignoraram a ordem governamental de desocupar a praça onde se encontra o Palácio do Congresso, onde centenas de partidários de Oviedo permaneciam concentrados desde sábado. A polícia os dispersou com jatos d´água e gás lacrimogêneo, deixando 50 feridos e prendendo 250. Segundo o promotor Alejandro Nissen, os acusados se negaram a desocupar a praça porque desejavam ficar no local até a eventual renúncia de González Macchi. Nissen anunciou a libertação de Vasconcellos e de Cano Radil, mas disse que outros dois dirigentes dos protestos, o oviedista Hermes Rafael Saguier e Roberto Aseretto, do opositor Partido Revolucionário Freberista, continuam foragidos. Os libertados foram interrogados pelo juiz Marcos Khon, acusados de "resistência ao cumprimento da lei de mobilizações públicas" (também chamada de "lei do marchódromo"), segundo a qual após encerrada uma manifestação de rua, o local deve ser desocupado. Saguier, por sua vez, informou que estava realizando gestões para obter asilo junto à embaixada argentina ou na sede local da Organização dos Estados Americanos (OEA). Nenhum funcionário de ambas as representações diplomáticas confirmou nem desmentiu as palavras de Saguier, que foi expulso do opositor Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) por sua participação, em maio de 2000, em um frustrado levante militar contra González Macchi. Por esse motivo, ele continua sendo processado e goza de liberdade condicional. Ao mesmo tempo, funcionários do Palácio do Governo declararam-se hoje em greve devido a um atraso de 17 dias no pagamento de seus salários. Em uma "onda popular" e usando uma caçarola gigantesca, os funcionários cozinharam hoje alimentos nas proximidades do palácio, situado no centro de Assunção. O atraso no pagamento dos salários do mês passado afeta também 15.000 militares das Forças Armadas e 12.000 agentes da polícia nacional.

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