Líbia anuncia que não irá à reunião de países árabes

A Líbia anunciou que não comparecerá a um encontro de países árabes na Arábia Saudita neste mês após a mudança da sede do evento, disseram diplomatas árabes neste domingo. Na cúpula do ano passado em Cartum, no Sudão, ficou definido que a reunião seguinte seria feita no Egito, sede da Liga Árabe. No entanto, a Arábia Saudita, que detém a presidência, ofereceu-se posteriormente para sediar o evento em Riad, e a idéia foi aceita pela Liga Árabe. O ministro de Relações Exteriores da Líbia, Mohammed Abdel-Rahman Shalgam, disse: "Houve uma decisão em Cartum de que o próximo encontro seria no país-sede (Egito), depois eles mudaram para a Arábia Saudita. Baseado em quê? Quem tomou essa decisão e como isso foi feito?" Ele falava a repórteres no Cairo que perguntaram por que a Líbia não compareceria à reunião. A Líbia e a Arábia Saudita tiveram relações fracas por alguns anos, especialmente depois da alegação de que um grupo de líbios planejou o assassinato do rei Abdullah em 2003, quando foi coroado príncipe. A Líbia declarou que não tinha nada a ver com tal plano. O ministro líbio também reclamou sobre a atitude hostil que alguns países árabes têm tido com o Irã. "O Irã se tornou o inimigo dos árabes, em vez de Israel - isso não é nonsense?", afirmou.Debate com KadafiMuammar Kadafi, sempre um político exibicionista, escolheu um programa de debates como uma nova maneira de mandar sua mensagem ao Ocidente: reforma econômica vai ajudar a Líbia, mas transformações políticas não são necessárias. Em uma mesa redonda com dois estudiosos ocidentais e um célebre jornalista britânico, ele disse que a urna de votos não era para sua nação exportadora de petróleo. Seu Jamahiriyah, "estado das massas", deve permanecer, ele disse, defendendo um sistema de encontros em administrações municipais em que partidos políticos são banidos, o que sugeriu outras nações a adotar. A globalização, no entanto, pode ser um benefício para a economia do país, em um momento em que a Líbia se liberta do controle estatal da economia, segundo Kadafi, líder do país do norte da África desde que tomou o poder em um golpe em 1969.

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