Ammar Award/Reuters
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Líbia cancela contratos petrolíferos com Itália

Medida é represália à participação de Roma na coalizão da Otan; reunião hoje na Turquia deve discutir proposta de Ancara para pôr fim a conflito

, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

O governo da Líbia interrompeu ontem a parceria estratégica com a petrolífera italiana ENI, a maior empresa estrangeira do setor que investe no país. De acordo com o premiê Baghdadi Ali al-Mahmoudi, a medida é uma represália à participação da ex-metrópole nos ataques da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao país.

"O governo italiano precisa se esquecer completamente do petróleo líbio e de todos os acordos que assinamos no passado", disse o premiê. "A ENI terá de procurar outro lugar para fazer negócios." De acordo com Al-Mahmoudi, o governo líbio procurará novas parcerias com empresas russas e chinesas. A ENI recusou-se a comentar o caso. As operações da companhia no país estão suspensas desde o começo do conflito, em fevereiro.

Ainda segundo o premiê, o país estaria disposto também a fazer negócios com empresas americanas, uma vez que o país não está mais diretamente envolvido nos bombardeios da Otan. Outras empresas europeias, como a holandesa Shell e a francesa Total, têm negócios no país, que é um importante fornecedor de petróleo para o continente.

Saída diplomática. O Grupo de Contato para a Líbia se reúne hoje na Turquia pela quarta vez. No encontro, será discutido um "mapa do caminho" proposto pelo governo turco para pôr um fim ao conflito. Participarão da conferência países árabes, europeus e os EUA. Ainda não há detalhes sobre o plano, que, de acordo com a chancelaria turca, está "em desenvolvimento".

Durante a semana, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tinha dito o líder líbio, Muamar Kadafi, que seus dias no poder "estavam no fim". De acordo com fontes do governo americano, os ataques a rotas de combustível, a falta de dinheiro e a moral baixa entre as tropas do governo podem indicar um enfraquecimento do coronel.

Ameaça. De acordo com o enviado especial russo para a Líbia, Mikhail Margelov, Kadafi planeja "explodir" Trípoli e cometer suicídio caso a capital caia em mãos rebeldes. Ao jornal russo Izvestia, o diplomata relatou uma conversa com Al-Mahmoudi no qual o premiê teria feito as ameaças. A Otan não confirmou tais planos, mas disse que Kadafi planeja destruir refinarias se os rebeldes ganharem terreno. / AP e REUTERS

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