Líbia condena seis acusados de infectar crianças com HIV

Um tribunal líbio considerou nesta terça-feira cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino culpados de infectar centenas de crianças com o vírus HIV e os sentenciou à morte. O veredicto e as penas foram anunciados pelo juiz Mahmoud Haouissa.Os seis são acusados de terem infectado intencionalmente 426 crianças líbias com o vírus da Aids, em um hospital em Benghazi, no fim dos anos 1990. Os réus alegam que estão sendo usados como bodes expiatórios para a falta de higiene observada nos hospitais líbios, segundo eles a verdadeira razão da infecção generalizada. Detidos por aproximadamente seis anos, os acusados já haviam sido sentenciados à morte em 2004. Mas, após protestos internacionais contra a falta de transparência do processo, a justiça líbia permitiu a realização de novos procedimentos.Ainda assim, organizações de direitos humanos do mundo inteiro, além da Bulgária, União Européia e Estados Unidos criticaram a sentença proferida nesta terça-feira. Segundo o membro da ONG Advogados Sem Fronteiras François Cantier, o julgamento concluído nesta terça-feira careceu de evidências científicas. Um relatório publicado no início de dezembro confirmou que amostras coletadas junto às crianças infectadas mostraram que os vírus foram contraídos antes que os profissionais começassem a trabalhar no hospital em questão."Precisamos de evidências científicas. Essa é uma questão médica, não apenas jurídica", disse Cantier após o veredicto. Segundo Ivan Paneff, que também é membro da organização, os Advogados Sem Fronteiras pediram que os juízes aceitassem a realização de uma investigação de peritos internacionais para analisar as condições dos hospitais. Os juízes teriam rejeitado o pedido.Luc Montagnier, médico francês que primeiro detectou o vírus HIV, também saiu em defesa dos réus. Segundo ele, a contaminação no hospital Benghazi começou em 1997, um ano antes da chegada dos profissionais condenados ao hospital. A reação dos país das crianças infectadas, no entanto, foi de júbilo. No momento do anúncio, parentes das crianças que participavam da audiência começaram a chorar de alegria e gritaram "Deus é o maior".

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