Líbia cumprirá contratos com Brasil, diz Patriota

Itamaraty diz ter garantias de que novo governo rebelde não punirá empresas brasileiras

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

O chanceler brasileiro Antonio Patriota disse ontem que o Brasil tem mantido contatos com líderes rebeldes por meio do embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, e discutido o cumprimento dos contratos de empresas brasileiras na Líbia. "A mensagem que nos foi transmitida é a de que há grande apreço pela contribuição que o Brasil tem dado ao desenvolvimento da Líbia e os contratos serão honrados", garantiu Patriota.

Alguns rebeldes teriam ameaçado retaliar Brasil, China e Rússia, que se abstiveram durante a aprovação da intervenção militar no Conselho de Segurança da ONU. Três empresas brasileiras atuavam na Líbia quando começou a rebelião: Queiroz Galvão, com obras de saneamento em Benghazi, Odebrecht, responsável pela ampliação do aeroporto de Trípoli e pela construção de um anel viário na capital, e Petrobrás, que explora petróleo no norte do país desde 2005.

Sobre o reconhecimento do governo rebelde, o Brasil ainda aguarda garantias de que o Conselho Nacional de Transição da Líbia seja capaz de organizar uma transição democrática. Patriota acredita que a mudança de regime deve ocorrer ainda esta semana, já que Trípoli foi tomada, mas afirma que "ainda há um longo caminho a percorrer".

"É preciso um governo de união nacional, com controle sobre o território, que represente uma transição para uma situação mais democrática. A Líbia é um país frágil em termos de instituições, não tem uma Constituição e tem um longo percurso em termos de progresso institucional", disse Patriota.

O Brasil aguarda também o posicionamento oficial da Liga Árabe e da União Africana, que terão reuniões esta semana, para analisar o reconhecimento do governo do CNT. A tendência é seguir a posição de árabes e africanos. Confirmada a tomada de poder pelos rebeldes, a formação do novo governo será analisada pelo Comitê de Credenciais da ONU, em setembro, durante a Assembleia Geral em Nova York.

Embaixada. Em Brasília, o Itamaraty acompanha de perto a situação na embaixada da Líbia. Fiel a Muamar Kadafi, o embaixador Salem Zubeide deixou a missão e está na residência oficial desde segunda-feira, depois que a embaixada foi invadida por líbios anti-Kadafi, que rasgaram fotos do ditador e içaram a bandeira dos rebeldes. Zubeide, porém, ainda é titular do cargo. Segundo o governo brasileiro, a troca só será feita quando um novo embaixador for indicado por Trípoli.

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