Líbia é palco de protestos contra e pró regime

A polícia da Líbia dispersou manifestantes contrários ao regime, durante a noite de ontem e a madrugada de hoje, na cidade de Benghazi, segundo informou a mídia estatal. Partidários do líder Muamar Kadafi realizaram posteriormente atos a favor do governo em várias cidades, também segundo a imprensa oficial.

AE, Agência Estado

16 de fevereiro de 2011 | 09h54

O site Libya al-Youm afirmou que a polícia usou "a força" para dispersar um grupo reunido em frente a uma delegacia em Benghazi. Já a BBC citou testemunhas segundo as quais pedras foram lançadas na polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo, jatos d''água e balas de borracha. O protesto foi iniciado por famílias de 14 pessoas mortas durante uma manifestação islâmica de 2006 em Benghazi, segunda maior cidade do país. As famílias pediam a libertação de seu advogado, Fethi Tarbel, informou o portal de notícias Al-Manara.

Preso por razões não reveladas, Tarbel acabou libertado após a pressão das famílias, afirmou outro site de notícias, o Qurina. Mas o grupo de manifestantes aumentou e eles começaram a gritar slogans contra o regime. "O povo quer o fim da corrupção" e "o sangue dos mártires não será em vão" foram alguns dos gritos da multidão, antes de a polícia dispersá-la.

Pouco depois, a televisão estatal mostrou centenas de pessoas tomando as ruas de Benghazi, bem como da capital, Trípoli, e de cidades como Syrte e Sebha para mostrar apoio a Kadafi. O veterano governante, no poder desde 1969, enfrenta nos últimos dias convocações de protestos feitas pela internet. As manifestações são convocadas para marcar as mortes dos 14 manifestantes em 2006, mas são estimuladas pela onda de protestos que varre o mundo árabe, ameaçando regimes vistos anteriormente como inabaláveis.

Em 2006, foram feridas no total 69 pessoas. Naquele ano, o protesto incluiu ataques ao consulado da Itália. Os manifestantes protestavam contra as charges que representavam o profeta Maomé, publicadas na época em alguns jornais europeus. Para os muçulmanos, é uma ofensa representar o profeta.

Autoridades demonstraram certa preocupação com a escala dos potenciais protestos, lançando uma campanha para desacreditar os dissidentes. Durante as orações no domingo, com a presença de Kadafi, para marcar o dia do nascimento do profeta Maomé, houve espaço para um "representantes da família dos mártires de Benghazi" que buscou "renovar sua aliança" com o líder. Kadafi tomou o poder em 1969 com um golpe, derrubando o regime apoiado pelo Ocidente. As informações são da Dow Jones.

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