Líbia libertou enfermeiras búlgaras em troca de armas, diz filho de Kadafi

Paris - As negociações de um acordo militar entre a França e a Líbia, na semana passada, foram chave para a libertação das cinco enfermeiras búlgaras e do médico palestino que estavam presos havia oito anos em Trípoli, revelou Seif al-Islam Kadafi, filho do líder líbio, Muamar Kadafi. Os seis haviam sido condenados à morte sob a acusação de terem infectado, deliberadamente, 460 crianças com o vírus HIV. Um dia após a libertação dos seis, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, viajou para Trípoli, onde formalizou os acordos com Kadafi.Em entrevista publicada ontem pelo jornal francês Le Monde, Seif afirmou que os dois países chegaram a discutir um acordo de proteção militar francesa em caso de ameaças à segurança da Líbia, mas não está claro se o item foi incluído no texto final. Apesar de os franceses não terem dado muitos detalhes sobre o acordo, o filho de Kadafi afirmou que ele inclui a compra de mísseis antitanque franceses por cerca de 100 milhões (US$ 137 milhões). Além disso, a França participará da construção na Líbia de um reator nuclear para uso pacífico. Há anos a Líbia vivia em isolamento, especialmente após o atentado em 1988 contra o avião da Pan Am em Lockerbie, na Escócia, no qual morreram 270 pessoas. Em 2003, o país aceitou responsabilidade pelo atentado e concordou em pagar indenização às famílias das vítimas.O líder líbio também anunciou na época o desmantelamento do programa nuclear do país, o que resultou no fim das sanções impostas pelos EUA e pela Europa. A condenação das enfermeiras e do médico, no entanto, ainda era um entrave para uma aproximação com o Ocidente. Os seis foram libertados após países da UE concordarem em pagar uma indenização de US$1 milhão para cada família das crianças infectadas.

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