Líbia não terá eleições logo após queda de Kadafi

O vice-líder do governo provisório dos insurgentes líbios, em Benghazi, disse hoje que poderá levar até dois anos para que sejam realizadas eleições no país magrebino, retirando as promessas de uma rápida transição para a democracia em seis meses na Líbia. Abdel-Hafidh Ghoga afirmou que após a suposta queda do governante líbio, Muamar Kadafi, será necessário um período de transição entre um e dois anos.

AE, Agência Estado

26 Maio 2011 | 20h56

Segundo ele, nesse período a oposição formará um corpo legislativo de transição, o qual terá a tarefa de redigir uma Constituição para o país magrebino, realizar um referendo sobre a Carta Magna, formar partidos políticos e então realizar o sufrágio. No momento, o conflito civil líbio, que começou em meados de fevereiro, está num impasse. Os insurgentes controlam o leste do país a partir de Benghazi, mas Kadafi continua no poder em Tripoli, de onde governa a parte oeste da Líbia.

Antes, Ghoga estimou que seriam necessários apenas seis meses para realizar um sufrágio após a queda de Kadafi. As críticas ao Conselho Nacional da Líbia, que governa o leste do país, têm crescido em Benghazi, com vários insurgentes afirmando que o país deveria rumar mais rápido para um sistema democrático após a possível queda de Kadafi.

Tunísia

A comissão eleitoral da Tunísia declarou hoje que deseja que as primeiras eleições nacionais desde a derrubada do presidente Zine El Abidine Ben Ali sejam atrasadas em três meses. A comissão propôs marcar as eleições para Assembleia Constituinte em 16 de outubro, em vez de realizar a votação em julho, a fim de dar mais tempo aos organizadores. "Não fazemos esse comunicado com alegria no coração, mas manter 24 de julho (como data) teria sido muito pior", disse Larbi Chouikha, membro da comissão.

A comissão eleitoral citou "inúmeras deficiências e irregularidades" na organização da eleição. Ressaltou especialmente que cerca de três milhões de tunisianos não estão inclusos na base de dados eleitoral e centenas de milhares de outros não têm carteira de identidade, ou, se têm, estão vencidas.

O principal trabalho da Assembleia Constituinte será escrever uma nova constituição para o país do Norte da África depois que o presidente Ben Ali fugiu em janeiro, devido aos levantes populares contra seus 23 anos no poder. As informações são da Associated Press.

Mais conteúdo sobre:
eleiçõesdemocraciaLíbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.