Líbia pode ser suspensa de órgãos de direitos humanos

A Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou a suspensão da Líbia dos órgãos de direitos humanos da entidade, algo inédito na história das Nações Unidas e, por enquanto, o maior sinal de isolamento internacional de Muamar Kadafi. A decisão final será tomada na terça-feira na Assembleia-geral da ONU, em Nova York. Kadafi recebeu ontem duas propostas da União Africana para sair da Líbia e evitar o banho de sangue. Em ambos os casos, recusou.

AE, Agência Estado

26 de fevereiro de 2011 | 08h46

"Este é um dia histórico para a ONU e manda um recado claro a todos os países de que suas ações terão consequências, até mesmo o Irã", afirmou a embaixadora dos EUA na ONU, Eileen Donahoe. Jean Baptiste Mattei, embaixador da França, também comemorava: "Estamos tomando decisões que ficarão marcadas e dão sinais claros a todos".

A resolução ainda cria uma comissão internacional que vai investigar os massacres e poderá recomendar um processo na Corte Internacional de Justiça contra Kadafi. A Líbia havia sido eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU com 155 dos 193 votos. Ontem, restavam poucos amigos. Países muçulmanos como a Jordânia e Catar também apoiaram a suspensão. Para o Iraque, o que ocorre na Líbia é "inaceitável". Até mesmo o Paquistão, em nome da Organização da Conferência Islâmica, condenou a atitude de Kadafi.

A resolução passou sem votos contrários. Mas a batalha agora se transfere para Nova York. Na Assembleia-geral, terão de ser obtidos dois terços dos votos para a suspensão da Líbia. Ditaduras em todo o mundo não estão preocupadas com Kadafi, mas não disfarçam a preocupação de também serem suspensos um dia.

Kadafi ainda provou ter seus últimos aliados na América Latina. "Qual o critério para julgar se houve, e em que nível, uma violação dos direitos humanos?", questionou Rodolfo Reyes, embaixador de Cuba. "Foi a imprensa americana quem incitou a violência", acrescentou.

A delegação brasileira copatrocinou a resolução e, ontem, a embaixadora Maria Nazareth Azevedo insistiu que os ataques contra a população atingiam níveis "inaceitáveis". Mas questionada sobre o voto do Brasil na semana que vem, a embaixadora não deu uma explicação clara se apoiaria a suspensão. Parte da cautela do governo é explicada por conta da presença de brasileiros na Líbia. O País estima que, se adotar uma posição extrema, os brasileiros na Líbia podem sofrer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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