Líbia quer que abertura à AIEA sirva de exemplo a Israel

O anúncio do líder líbio Muamar Kadafi alguns dias atrás de que o país iria cooperar com total transparência com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e permitir que inspetores internacionais tenham acesso às suas usinas nucleares parece ter um objetivo estratégico: fazer com que outros países do Oriente Médio, especialmente Israel, disponibilizem dados sobre possíveis armas de destruição em massa em seu poder.Acredita-se que Israel seja o único país da região com um programa de desenvolvimetno de armas nucleares, informação não confirmada nem negada pelo Estado judeu.O Ministro das Relações Exteriores da Líbia, ABdel-Rahman Shalqam, reiterou ontem numa coletiva de imprensa com Mohamed El Baredei, chefe de inspeção nuclear das Nações Unidas, que o país "não possui armas de destruição em massa".Baredei, que chegou ontem cedo à região com uma equipe de experts em armas de destruição em massa, disse que, aparentemente, a Líbia estava longe de produzir um arsenal nuclear. Ele parabenizou a abertura do país, dizendo se tratar de um passo na direção certa, "principalmente com relação ao Oriente Médio"."Temos certeza de que estamos dando um passo estratégico, e pedimos para que todos os países nos sigam", afirmou Shalqam. "Esta é uma mensagem clara, principalmente aos israelenses, que precisam começar a se desfazer de suas armas de destruição em massa".A abertura do país às inspeções da AIEA acontecem oito meses depois de negociações e inspeções secretas por agentes de inteligência britânica e americana. É o mais recente passo de Kadafi em uma série de ações destinadas a reduzir o isolamento internacional da Líbia e eliminar sua imagem de país corrupto e obscuro.

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