Líbia realiza primeira eleição parlamentar desde 1964

Os líbios realizaram neste sábado a primeira eleição parlamentar nacional em décadas, que registrou grande comparecimento de eleitores. Mas a violência e os protestos no leste mostraram os desafios que o país norte-africano continua enfrentando enquanto tenta restaurar a estabilidade, após a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi.

Agência Estado

07 de julho de 2012 | 18h11

Atos de sabotagem impediram a abertura de 101 locais de votação neste sábado. De acordo com o presidente da comissão eleitoral líbia, Nuri al-Abbar, os problemas ocorreram principalmente no leste do país. "Foram abertos 94% dos postos de votação", disse o presidente da comissão, ressaltando que o processo eleitoral ocorria normalmente em 1.453 dos 1.554 centros de votação.

"Alguns dos postos não abriram. Em virtude de problemas de segurança, o material logístico não conseguiu chegar até eles", disse. "Estamos lidando com isso, enviando material para os postos para que eles comecem o processo de votação", afirmou Al-Abbar, em declarações feitas cinco horas após o começo do processo.

Ele explicou que a comissão estudava a possibilidade de prolongar o deadline da votação das 20 horas (horário local) para as 24 horas nos pontos afetados. A eleição na Líbia para o Congresso Nacional Geral marca a primeiro pleito nacional após quatro décadas do regime ditatorial de Kadafi, que foi destituído depois de uma revolta popular no ano passado.

"O comparecimento é excelente, a despeito das temperaturas altas", disse Abbar com base nos dados preliminares sobre a presença nos postos. Ele informou ainda que o processo de votação no exterior transcorria tranquilamente.

Boa parte dos problemas estava concentrada no leste do país, berço do levante que tirou Kadafi do poder em 2011 e que concentra facções que ameaçavam boicotar a eleição.

Uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas em um confronto armado entre forças de segurança e manifestantes contrários às eleições na cidade de Ajdabiya, no leste, de acordo com o diretor da comissão de eleições, Nouri al-Abari. Ele acrescentou que os manifestantes tinham como alvo o centro de apurações, que mais tarde foi reaberto e iniciou as votações normalmente.

Do leste ao oeste da Líbia, grupos islâmicos se dividem para garantir o poder regional. Alguns cidadãos do leste boicotaram as eleições e incendiaram urnas em 14 de 19 estações de votação de Ajdabiya, de acordo com o ex-líder rebelde na área, Ibrahim Fayed.

Homens armados derrubaram um helicóptero que carregava materiais para as eleições perto da cidade de Bengasi, matando um funcionário, segundo o porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Saleh Darhoub. A tripulação sobreviveu.

"Tenho uma sensação estranha, mas bonita hoje", disse o dentista Adam Thabet enquanto esperava na fila de votação. "Estamos livres depois de anos de temor. Eu sabia que esse dia iria chegar, mas estávamos com medo de que fosse demorar demais."

A eleição para o parlamento de 200 assentos, que formará um novo governo, é a primeira desde 1964, cinco anos antes de que o golpe militar de Kadafi derrubasse a monarquia. O país de 6 milhões de pessoas entrou em um duro período de instabilidade depois que Kadafi foi morto por forças rebeldes em sua cidade natal, Sirte, em outubro do ano passado. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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