Líbia suspende atividades do Congresso e cancela reunião da Liga Árabe

Manifestações deixam 35 mortos, segundo jornal; opositores denunciam violência dos militares

estadão.com.br

18 de fevereiro de 2011 | 15h35

Atualizado às 22h42

 

CAIRO - O Congresso da Líbia suspendeu suas atividades por tempo indefinido por conta dos protestos que ocorrem no país desde o início da semana, informou um site afiliado ao governo do coronel Muamar Kadafi, que governa o país desde 1969. O país também teria cancelado uma reunião da Liga Árabe, órgão do qual mantém a presidência rotativa, marcada para março. As manifestações teriam deixado 35 mortos, segundo uma fonte médica. Um jornal disse que 27 pessoas morreram. A Anistia Internacional informou que o número de mortes dos últimos três dias é de 46.

 

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A informação da paralisação do Congresso é do site Quryna, de um dos filhos de Kadafi. Segundo a página, a medida foi tomada para que funcionários do governo sejam substituídos, o que seria uma resposta da administração líbia aos pedidos de reformas democráticas dos manifestantes. Os protestos ocorrem principalmente na área leste do país, onde o coronel tem menos apoio.

 

A Líbia, atual presidente da Liga Árabe, também anunciou o adiamento de uma reunião do órgão marcado para março no Iraque devido "às circunstâncias da região", referindo-se aos protestos que ocorrem também no Bahrein, no Iêmen e em outros locais. O secretariado da Liga, porém, afirmou que não recebeu um comunicado formal sobre a decisão.

 

A situação na cidade de Benghazi, no leste, é a mais tensa desde a quinta, quando as manifestações ganharam caráter violento. Os opositores de Kadafi saíram Às ruas e enfrentaram os simpatizantes do coronel e as forças de segurança. Saadi Kadafi, filho do líder líbio e também militar, disse que assumiria o posto de prefeito da cidade para "proteger a população".

 

Os ativistas da oposição acusam a violência das forças de segurança e dos opositores. "Ocorreu um massacre aqui ontem (quinta)", disse um deles. Houve relatos de dezenas de pessoas sendo levadas a hospital com ferimentos a bala e de corpos nas ruas de Benghazi. Fontes hospitalares também disseram que há falta de médicos, remédios e espaço nos centros de tratamento.

 

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch disse que ao menos 24 pessoas morreram. Há relatos de mortes em diversas cidades do país, mas as informações não podem ser confirmadas devido ao rígido controle exercido pelo governo sobre a imprensa. A oposição reivindica liberdades políticas, respeito aos direitos humanos e o fim da corrupção. Kadafi costuma dizer que os líbios vivem numa verdadeira democracia.

 

Com Reuters e AP.

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