Líbia vive dia de protestos violentos; opositores relatam mortes

Protestos ocorrem em ao menos quatro cidades; partidários de Muamar Kadafi também marcham

Associated Press

17 de fevereiro de 2011 | 13h55

CAIRO - Os líbios que querem o fim do regime do coronel Muamar Kadafi foram às ruas de pelo menos quatro cidades da Líbia nesta quinta-feira, 17, no "dia de fúria" convocado pela oposição por meio da internet. Os protestos foram organizadas em resposta à suposta morte de 20 manifestantes durante as marchas de quarta-feira.

 

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Segundo site de oposição, havia manifestações nas cidades de Benghazi, Beyida, Zentan e na capital Tripoli. O número de ocorrências não foi confirmado e não há cifras oficiais, mas fontes da oposição informam que houve mortes entre os manifestantes e que elas foram causadas por balas disparadas pelas forças de segurança.

 

O site da oposição Libya Al-Youm disse que quatro manifestantes foram mortos por francoatiradores em Beyida e que cinco pessoas morreram em Benghazi. Um dirigente da oposição afirmou que 70 pessoas foram levadas ao hospital na mesma cidade desde a noite da quarta-feira, algumas delas com sérios ferimentos a bala. Outro ativista da oposição, Fathi al-Warfali, exilado na Suíça, disse que 11 morreram em Beyida. Outra fonte afirmou que duas pessoas morreram em Zentan e uma morreu em Rijban.

 

Os partidários de Kadafi, que está há 42 anos no poder, também se mobilizaram e foram às ruas. Na quarta, houve confronto entre os simpatizantes do governo e os opositores. "Hoje os Líbios romperam a barreira do medo. É um novo dia", disse Faiz Jibril, opositor líbio exilado.

 

Os protestos na Líbia são inspirados nas revoltas populares do Egito e da Tunísia, onde o povo derrubou presidentes que estavam há décadas no poder. Kadafi, porém, já tomou medidas para tentar apaziguar as manifestações. Ele dobrou o salário de servidores públicos e libertou 110 militantes islâmicos supostamente contrários ao governo. Mesmo assim, as marchas continuaram.

 

O governo líbio mantém a mídia sob estrito controle e por isso não se pode confirmar os relatos independentemente. A agência estatal, por sua vez, noticiou apenas as marchas pró-governo, anunciando que elas expressam "a unidade eterna com o irmão líder da revolução", como Kadafi é conhecido. A Irmandade Muçulmana, um dos partidos de oposição, denunciou o uso de "munição de verdade para dispersar os protestos" e pediu que o regime "suspenda a repressão".

 

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