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Lições de uma viagem a Gaza

Chanceler da UE defende a solução de dois Estados, com Jerusalém como capital de Israel e da Palestina

Catherine Ashton, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2010 | 00h00

A entrada na Faixa de Gaza é chocante. No posto de controle de Erez, você entra no que parece um moderno terminal de aeroporto. Quando sai dali, atravessa um labirinto de portas e emerge, como um viajante do tempo transportado para o passado, numa viela suja. É ali que existia o centro industrial de Gaza antes de ser bombardeado, há pouco mais de um ano. Hoje, as pessoas, com suas mulas e carrinhos de mão, carregam pedras dos escombros.

Quando você vem de Israel e entra em Gaza, sai de um país do século 21 para entrar num ambiente desfigurado. A reconstrução é impossível enquanto Israel continuar bloqueando a entrada de produtos. As pessoas dispõem de pouco mais do que as ruínas que as cercam. Um sistema ilegal de túneis fornece produtos vitais para as pessoas e lucros para gangues criminosas.

Fui a Gaza para ver se o dinheiro da União Europeia está dando resultado. Sim. Em meio às condições desalentadoras, sementes de esperança estão germinando. Visitei uma escola para meninas em que as alunas recebem uma sólida educação, incluindo aulas sobre direitos humanos. Esses bolsões de esperança mostram como a dignidade humana sobrevive e são um lampejo de como as coisas poderão ser.

O que vi em Gaza confirmou minha opinião de que precisamos agir agora porque a paz trará prosperidade para a região, o melhor antídoto contra os grupos radicais. O extremismo cresce nos escombros e nos campos de refugiados, território fértil para os senhores da guerra. Os palestinos têm de ser capazes de controlar suas próprias vidas. Em Gaza, as preocupações de Israel são legítimas. Mas, para os israelenses, só a paz duradoura trará segurança. Essa deve ser a prioridade de qualquer governo.

Por toda a região ouvi a mesma mensagem. Todos querem que suas economias cresçam, seu povo prospere, seus filhos sejam educados. Para alcançar isso, precisamos de paz. A comunidade internacional tem de ajudar. Não podemos impor a paz, mas podemos fornecer apoio e incentivo para as partes firmarem compromissos difíceis.

A UE apoia os esforços dos EUA para relançar as negociações. Se desejamos ter sucesso, precisamos apoiar o Quarteto, que está unido e determinado a fazer avançar o processo e a ajudar a Autoridade Palestina nos esforços de construção do seu Estado.

Sabemos que elementos são necessários. A UE expôs sua posição em dezembro: uma solução de dois Estados, com Israel e Palestina lado a lado. Um Estado palestino viável na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e Gaza, tendo por base as fronteiras de 1967. É preciso encontrar uma solução para o estatuto de Jerusalém como capital de Israel e da Palestina e para o problema dos refugiados. Temos de abandonar a administração do conflito e partir para a resolução do conflito. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

É REPRESENTANTE DA UNIÃO EUROPEIA PARA ASSUNTOS EXTERNOS

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