Líder afegão abre o Fórum Econômico Mundial

O primeiro-ministro do Afeganistão, Hamid Karzai, deve discursar na próxima quinta-feira, na sessão de abertura do Fórum Econômico Mundial, em Nova York. Karzai desembarcou neste domingo em Washington, em sua primeira visita aos Estados Unidos como chefe do governo de transição de seu país. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro afegão reuniu-se com o presidente George W. Bush na Casa Branca. A participação de Karzai na sessão de quinta-feira foi divulgada nesta segunda à tarde pela direção do Fórum Econômico Mundial.Fundado em 1971, o Fórum sempre realizou suas reuniões anuais, até o ano passado, em Davos, um centro de esqui nos Alpes suíços, e para lá deve voltar em 2003. A escolha de Nova York para a reunião dos próximos dias foi justificada oficialmente, por seus diretores, como forma de apoio à cidade atingida pelos atentados de 11 de setembro.O quadro mundial criado pelas ações terroristas marcou também a pauta do encontro. Haverá discussões sobre segurança mundial, novas prioridades da política externa americana, futuro do Afeganistão e dos países vizinhos, novas fontes de vulnerabilidade e relações entre Estados Unidos e mundo árabe.Os debates cobrirão também os desdobramentos políticos da chamada guerra contra o terror, como as possíveis ameaças a liberdades individuais, no mundo ocidental, e o papel dos meios de comunicação. O Fórum Econômico Mundial é geralmente descrito como um clube de empresários, políticos e intelectuais a serviço da globalização. É uma descrição no mínimo imprecisa.A agenda anual do Fórum recobre os grandes temas da economia globalizada, mas não se limita aos interesses de curto prazo dos homens de negócio. Recobre temas como saúde e saneamento, combate à pobreza, condições do mercado de trabalho, questões ambientais e política internacional, além de tópicos de arte, cultura, ciência e costumes. Haverá discussões, neste ano, sobre relações interculturais, um tema posto em evidência depois dos eventos de 11 de setembro.O convite a Hamid Karzai não é um fato extraordinário. Os fatos mais quentes da política internacional permeiam o dia-a-dia das reuniões do Fórum. No ano passado, o líder palestino Yasser Arafat e o ministro israelense Shimon Peres discutiram em Davos, em reuniões paralelas, o andamento do processo de paz no Oriente Médio. O agravamento da crise entre os dois governos causou a suspensão das discussões, retomadas depois da intervenção do secretário-geral da ONU, Koffi Annan, também presente em Davos.O resultado da mediação foi comunicado à imprensa numa entrevista de Koffi Annan, concedida por volta da meia noite num hotel de Davos. Neste ano, Arafat deverá estar ausente da reunião do Fórum pela primeira vez em muitos anos. Numa de suas últimas participações, ele discutiu com jornalistas o projeto de criação do Estado palestino. Um dos participantes da reunião era o violinista Yehudi Menhuin, que morreu poucos meses depois. Os leitores do Estado souberam, no dia seguinte, que Menuhin e Arafat saíram abraçados da reunião.A imprensa, naturalmente, cobre apenas uma pequena parte do que ocorre nos encontros anuais do Fórum. Boa parte dos debates abrange os temas de maior interesse da economia mundial e isso acaba consumindo a maior parte do espaço.Em Davos, em janeiro de 1998, o economista Kenneth Courtis, então funcionário do Deutsche Bank, disse que o Brasil seria a bola da vez, depois da crise financeira na Ásia. Errou por pouco. A bola da vez foi a Rússia, ainda naquele ano, confirmando a previsão de outro participante famoso, o megainvestidor George Soros. A crise cambial brasileira só ocorreu em janeiro do ano seguinte. Nos anos 2000 e 2001, a grande interrogação dos analistas era o momento em que cessaria o crescimento da economia americana.No ano passado, o Fórum reuniu Mike Moore, diretor-gerente da Organização Mundial do Comércio, e vários ex-dirigentes da entidade, que lançaram um documento a favor da nova rodada global de negociações comerciais. A rodada foi finalmente lançada no final de 2001. Um dos painéis programados para os próximos dias será dedicado às perspectivas dessa rodada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.