Líder afegão rejeita compensação dos EUA

Um líder tribal afegão cujo irmão fora assassinado em um ataque norte-americano, em 23 de janeiro, rejeitou as desculpas e uma suposta compensação em dinheiro oferecidas pelos Estados Unidos. "Nossos mortos não têm preço. Não sou um mercador de corpos, não venderei meu irmão e não tocarei no dinheiro", disse Bari Gul, líder da tribo popolzai em Tarin Kot, ao sul da cidade que fora atacada.Segundo testemunhas, 19 homens foram mortos a tiros enquanto dormiam - alguns algemados - durante o ataque a Khas Uruzgan. Dois outros homens morreram vítimas de bombardeios norte-americanos. Inicialmente, o Pentágono havia afirmado tratarem-se de membros do Taleban e da rede terrorista Al-Qaeda, mas agora diz estar investigando se matou as pessoas erradas.Jan Mohammed Khan, governador da província de Uruzgan, na região central do país, disse que os 19 homens foram enviados por ele para coletarem armas de membros do Taleban que haviam se entregado.A pedido das "mais altas hierarquias" norte-americanas, Jan Mohammed disse ter pedido desculpas e oferecido condolências às famílias das vítimas. Ele se recusou a identificar as autoridades dos EUA. O governador também afirmou ter entregue de US$ 1.000 a US$ 2.000 para cada família. Gul mostrou a jornalistas dez notas de US$ 100. "Não vendemos nossos mortos", afirmou.Leia o especial

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