Líder americano fala em pôr fim à Guerra da Coréia

Paz dependeria do Norte renunciar às armas nucleares; declaração pegou de surpresa presidente sul-coreano

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2008 | 00h00

A passagem do presidente dos EUA, George W. Bush, pela reunião da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) foi desastrosa. Além das gafes (ler box), o presidente se envolveu ontem em uma discussão tensa com o presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun.No entanto, o desentendimento entre os dois não foi por causa da guerra no Iraque, mas em razão da Guerra da Coréia (1950-1953), que oficialmente não terminou - o conflito foi apenas interrompido por um cessar-fogo, em 1953. A conversa entre os dois, que era para ser uma cordial diálogo protocolar, começou a sair do controle quando Bush disse que poderia chegar a um acordo de paz com a Coréia do Norte desde que os comunistas abandonassem seu programa nuclear. Ao ouvir a declaração do presidente americano, Roh deixou a serenidade de lado. "Eu posso estar errado, mas eu acho que acabei de ouvir o presidente Bush dar uma declaração sobre o fim da Guerra da Coréia. Você realmente disse isso, presidente Bush?"Ainda calmo, o presidente americano respondeu que um eventual acordo de paz estava nas mãos do líder norte-coreano, Kim Jong-il, e dependeria da renúncia do regime comunista de seu arsenal nuclear. Surpreendentemente, a resposta não satisfez Roh. "Por favor, o senhor poderia ser um pouco mais claro no que está dizendo?", retrucou o sul-coreano. Já perdendo a paciência, Bush colocou um ponto final no assunto. "Eu não posso ser mais claro do que isso, senhor Roh. Queremos o fim da Guerra da Coréia e isso vai acontecer quando Kim Jong-il se livrar de suas armas nucleares", afirmou Bush diante de uma multidão de jornalistas, que registrava o diálogo de surdos. Encerrado o encontro, a Casa Branca tratou de minimizar o incidente e atribuiu a falta de entendimento entre os dois presidentes a um possível erro do tradutor escalado para o encontro. "Está claro que algo se perdeu na tradução", disse Gordon Johndroe, porta-voz de Segurança Nacional. Johndroe lembrou ainda que a Guerra da Coréia não foi travada entre EUA e Coréia do Norte, mas sim entre o Norte e a ONU, e que uma declaração de Bush, portanto, não faria nenhum sentido.

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