Líder aposta em 'Minha Casa, Minha Vida'

Projeto habitacional parecido como o programa do Brasil é o maior trunfo eleitoral de presidente venezuelano

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h01

A "Misión Vivienda", a versão venezuelana do programa brasileiro Minha Casa Minha Vida, é o maior investimento social recente promovido pelo presidente Hugo Chávez. O orçamento de 2012 prevê mais de 3,2 bilhões de bolívares (US$ 750 milhões, pelo câmbio oficial) para a construção de 200 mil moradias e para o desenvolvimento urbano.

O programa contempla apenas famílias das regiões atingidas pelas fortes chuvas do último verão, mas se transformou numa grande aposta eleitoral ao propor uma solução para o déficit de mais de 2 milhões de casas em todo o país. A meta de 2011 é a construção de 153 mil casas, e o governo afirma que concluiu em outubro 84.517 residências. O governo agora aposta alto e promete a construção de 3,7 milhões de moradias nos próximos dez anos, número bem acima dos 2 milhões de casas previstos para 2017. Enquanto isso, os desabrigados pelas enchentes alojados em hotéis desde dezembro continuam ocupando as instalações turísticas há quase um ano. Desalojados e proprietários, porém, reclamam da falta de assistência do governo.

O porta-voz da Associação Civil de Pequenos e Médios Hoteleiros da Grande Caracas, Liborio Giarratano, disse ao Estado que hoje são 170 os hotéis usados como refúgio - 15 deles totalmente ocupados pelos desabrigados. Alguns ainda têm espaços para receber turistas, mas a demanda caiu quase totalmente. Entre despesas com serviços, impostos e estruturas danificadas, chegam a 570 milhões de bolívares o custo da ação até agora.

Segundo a associação, os hotéis abrigam hoje 1.557 famílias, num total de 10.080 pessoas. Cada família vive num quarto que geralmente recebia dois hóspedes. Alguns estabelecimentos cederam espaços para a construção de cozinhas e lavanderias comunitárias; outros tiveram de ceder também suas instalações de serviços. A alimentação é fornecida pelo governo, assim como os equipamentos das cozinhas.

Os donos de hotéis dizem que não recebem nenhum tipo de ajuda do governo e afirmam que o último contato feito com a presidência foi no início do ano. Os desabrigados continuam aguardando pela entrega das casas prometidas por Chávez.

Importação. No orçamento de 2012, Chávez destaca que controla a produção de cimento e ferro, graças às expropriações de indústrias de construção civil. O governo planeja agora centralizar a distribuição dos materiais e importar equipamentos e insumos para acelerar as construções. O Ministério da Habitação garante ainda os convênios com o Brasil, Cuba, Irã, China e outros países. / TALITA EREDIA

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