Líder armado haitiano usa morte e seqüestro "para sobrevivência"

O líder clandestino conhecido como Damaseine, de 29 anos, encabeça um dos grupos armados que atuam em Porto Príncipe, capital do Haiti, e se refugiam no bairro de Cité Soleil. Ele diz que as gangues matam e seqüestram em defesa própria, para sobreviver e por razões financeiras. "Estamos lutando por nossa vida, para sobreviver (...) aqui em Cité Soleil não temos nada, não há comida, não há água potável, nem eletricidade, nem saúde, nem educação", disse.Damaseine morou toda sua vida em Cité Soleil, considerado o quartel-general dos "chimère" (fantasmas, em crioulo), seguidores armados do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, que abandonou o poder e o país em fevereiro de 2004, quando o Haiti se encontrava à beira de uma guerra civil.Em Cité Soleil, moram cerca de 300 mil pessoas próximo ao mar, nas piores condições de vida imagináveis e cercadas por soldados jordanianos da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) que controlam os acessos e saídas do bairro.O líder armado quis ressaltar que "depois da saída do presidente Aristide, diversos setores da sociedade haitiana começaram uma guerra suja" contra seu partido, o Lavalas, "que foi financiada por gente como Charles Baker, hoje candidato à Presidência, ou Reginald Boulos, líder empresarial haitiano". Segundo Damaseine, "eles financiaram grupos para eliminar o pessoal do Lavalas em regiões como Cité Soleil ou Bel-Air, e também convocaram a Polícia haitiana".Segundo o rebelde, "(as forças da Minustah) chegam com seus veículos militares e não se detêm diante de nada, arrasam tudo; não têm nenhum problema em atirar em todas direções sem nenhum controle", assegurou. "Se pudesse deixaria esse país, e muitos de meus vizinhos querem o mesmo, mas não podemos porque temos nossos filhos, nossas esposas aqui".Sobre os seqüestros cometidos diariamente em Porto Príncipe por grupos armados como o seu, Damaseine explicou que "o principal motivo é o econômico". A respeito das as eleições presidenciais de 7 de fevereiro, afirmou que em Cité Soleil "todos votarão em René Préval, incluindo eu".René Préval, que foi primeiro-ministro de Aristide e depois presidente do Haiti de 1996 a 2001, recebeu nas últimas semanas duras críticas de setores políticos e empresariais que o acusam de negociar com os grupos de Cité Soleil e de apoiar sua luta armada.

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