Líder assassinado do Hamas era defensor da trégua

Ismail Abu Shanab, um líder político do Hamas assassinado por Israel nesta quinta-feira pressionou o movimento islâmico a ingressar numa trégua temporária em suas ações contra alvos israelenses, apesar de o Estado judeu acusá-lo de envolvimento em atentados, inclusive na ação suicida desta semana contra um ônibus em Jerusalém. Abu Shanab, um engenheiro formado nos Estados Unidos e nascido em um campo de refugiados da Faixa de Gaza em 1950, foi um dos primeiros recrutas do Hamas após a formação do grupo, em 1987. Abu Shanab era a ponte entre o Hamas e o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dando ouvidos a seus apelos para que a trégua de três meses fosse ampliada. No entanto, Abu Shanab endureceu sua posição nas últimas semanas e declarou-se revoltado pelo fato de a trégua não ter resultado numa libertação em massa de palestinos detidos em prisões israelenses. Israel alega que, como assessor do fundador e líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, Abu Shanab estava por trás de esforços de explorar a trégua para rearmar e fortalecer o grupo. Ainda de acordo com o Exército israelense, Abu Shanab foi diretamente responsável por diversas ações suicidas perpetradas contra Israel. Desde sua criação, o Hamas matou centenas de israelenses em atentados suicidas e outras ações. Detido durante dez anos, Abu Shanab transformou-se num destacado líder do grupo dentro das penitenciárias israelenses durante a década de 90. Apesar de ele concordar com a posição do Hamas de que não existe espaço para um Estado judeu no Oriente Médio e que Israel precisa ser destruído, era conhecido por ser uma das mentes mais moderadas dentro do grupo extremista.

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