EFE/Alberto Estévez
EFE/Alberto Estévez

Catalães remarcam separação para terça-feira

Justiça espanhola havia proibido Parlamento catalão de fazer reunião na segunda-feira

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 11h28
Atualizado 06 Outubro 2017 | 21h19

O governador da Catalunha, Carles Puigdemont, adiou para terça-feira a declaração unilateral de independência, em um novo capítulo da crise política na Espanha. O líder secessionista solicitou nesta sexta-feira, 6, ao Parlamento local a realização de uma sessão para avaliar a crise.

Justiça proíbe Parlamento catalão de se reunir para declarar independência

Embora não tenha feito referência ao plebiscito de domingo, a ideia é proclamar a soberania catalã durante a sessão. A iniciativa já foi marcada e remarcada quatro vezes. Nesta semana, o Tribunal Constitucional, maior instância da Justiça espanhola, proibiu a realização da sessão sob o pretexto de evitar a declaração secessionista.

A realização da sessão foi aprovada pela direção do Parlamento ontem. Unionistas como o Partido Popular (PP), o mesmo do premiê espanhol, Mariano Rajoy, decidiram estar presentes no plenário. O grupo político de Puigdemont tem maioria no Legislativo e não deve ter dificuldades para aprovar qualquer medida. 

A tendência hoje indicava que Puigdemont deve ler a declaração, mas não submetê-la a voto. Na prática, a proclamação não teria efeito jurídico, mas simbólico, e assim não resultaria na independência efetiva da Catalunha. Desde a realização do plebiscito, grupos independentistas divergem sobre os rumos do movimento. Enquanto os moderados da coalizão hesitam sobre a declaração de independência, a extrema esquerda é a favor do rompimento.

As divergências foram reconhecidas hoje pelo governador da Catalunha Artur Más, que criticou a iniciativa de Puigdemont. “Fizemos um plebiscito em condições duríssimas. Apesar da violência, 42% das pessoas votaram, essa situação nos legítima e ganhamos como direito mínimo o de ser um país independente”, afirmou. “Mas a Catalunha não está pronta para uma independência real.”

No momento em que a crise se agrava, os independentistas enfrentam um revés: a fuga de empresas catalãs. Depois do banco Sabadell anunciar a transferência de sua sede de Barcelona para Alicante, hoje foi a fez do CaixaBank anunciar a mudança para Valência. Os dois são os maiores bancos da Catalunha. Empresas como a fabricante de espumante Freixenet e a de energia Gas Natural Fenosa também anunciaram a disposição de transferirem suas sedes.

Os efeitos econômicos levaram o FMI a advertir para a incerteza e desconfiança com relação aos investimentos na região. Agências de rating como Fitch e Standard & Poor’s também disseram que rebaixarão a nota da dívida da Catalunha, que já é classificada como grau especulativo.

Em caso de independência, a região teria de suportar não apenas a sua dívida, mas a fatia de dívida equivalente ao peso de seu PIB na economia espanhola – 20% –, o que elevaria a dívida nacional a 134% do PIB. Esse seria o segundo pior patamar da Europa, atrás da Grécia (179%) e à frente da Itália (132%).

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