EFE/ Olivier Hoslet
EFE/ Olivier Hoslet

Líder catalão deposto diz que aceita realização de eleições e não pedirá asilo na Bélgica

Governador deposto Carles Puigdemont diz que não busca asilo em Bruxelas e enfrentará Justiça da Espanha

Andrei Netto, Enviado Especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 10h36
Atualizado 31 Outubro 2017 | 22h23

Um dia depois de deixar a Catalunha, abandonando Barcelona, o governador deposto, Carles Puigdemont, anunciou nesta terça-feira, 31, que aceita as eleições regionais convocadas pelo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. O líder independentista garantiu ainda que reconhecerá o resultado das urnas, mas questionou se Madri aceitará uma eventual vitória do movimento separatista, que deve apresentar uma candidatura única em 21 de dezembro.

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Na prática, a decisão de Puigdemont reconhece que a declaração de independência feita pelo Parlamento regional na sexta-feira não tem nenhum valor político ou jurídico, apenas simbólico, já que os partidos secessionistas disputarão um pleito organizado por Madri.

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Puigdemont fez sua primeira aparição pública desde o fim de semana em uma sala superlotada do Clube da Imprensa, em Bruxelas, frente a mais de 150 jornalistas espanhóis e estrangeiros. O ex-governador estava acompanhado de 7 de seus 13 ex-secretários de Estado, também depostos, mas assegurou que não está na capital europeia em busca de asilo político. “Não estou aqui para pedir asilo político. Estamos aqui em busca de garantias à Catalunha da parte da Espanha”, justificou. 

O ex-governador afirmou que não a abandonou o governo catalão – embora nem ele, nem seus secretários, tenham exercido o poder desde segunda-feira, primeiro dia útil após a intervenção de Madri, que dissolveu o Executivo e o Parlamento da região. “Vamos continuar o trabalho, apesar dos limites que nos impõe essa estratégia da não-confrontação”, garantiu. 

Puigdemont afirmou ainda que não pretende escapar dos processos que terá de responder à Justiça espanhola. Porém, o independentista não esclarecer se retornará a Barcelona nos próximos dias. 

O ponto alto da declaração foi o questionamento que lançou ao governo de Mariano Rajoy sobre o reconhecimento de uma eventual vitória do movimento independentista em 21 de dezembro. 

A estratégia de Puigdemont é transformar o pleito em uma espécie de plebiscito sobre a secessão, na esperança que uma vitória dos separatistas lhes autorize a levar adiante a independência da Catalunha. “Nós vamos respeitar o resultado das eleições que foram convocadas para 21 de dezembro, como fizemos sempre, não importando o resultado. Mas questionamos o Estado espanhol: ele fará o mesmo? Vai respeitar o resultado das urnas, que possam dar a maioria às forças independentistas?”, indagou.

Horas depois de seu pronunciamento, Puigdemont e seus ex-secretários foram convidados a prestar depoimentos pelo Ministério Público em Madri na quinta e sexta-feira. Seu advogado não confirmou qual será a decisão do ex-governador.

Segundo o cientista político Luis Moreno, do Instituto de Políticas e Bens Públicos (CSIC), de Madri, Puigdemont enfrenta as consequências de um movimento político inteligente de Rajoy, que convocou eleições antecipadas, retirando dos independentistas o discurso de que apenas eles representariam a democracia. “Esse movimento tomou partidos secessionistas de surpresa, porque eles agora enfrentam o contra-argumento de novas eleições apoiadas por partidos não independentistas da Catalunha e da Espanha”, explicou.

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