REUTERS/Susana Vera
REUTERS/Susana Vera

Líder catalão diz não querer 'separação traumática' e convoca reunião

UE e ONU pressionam por negociação entre governo central espanhol e autoridades catalãs enquanto protestos aumentam na região autônoma

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 11h54

BARCELONA, ESPANHA - Com uma reunião de gabinete marcada para discutir os próximos passos após o plebiscito independentista da Catalunha, o presidente da Generalitat – o governo autônomo catalão –, Carles Puigdemont,  disse nesta segunda-feira,2, que não busca uma separação “traumática” da Espanha. Segundo ele, os nacionalistas catalães querem “um novo entendimento” com Madri.  A União Europeia e a ONU pressionam pelo diálogo, enquanto o governo central não admite qualquer cenário em que uma república catalã seja declarada independente. 

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A reunião ocorre em meio à tensão com o governo espanhol e  a possibilidade de uma  declaração unilateral de independência – que não seria aceita nem pela Espanha, nem pela União Europeia e teria poucas condições práticas de se concretizar. 

“Não queremos uma separação traumática... queremos um novo entendimento com o Estado espanhol”, disse Puigdemont, que no dia anterior declarou que votação, que atraiu milhões de eleitores desafiadores apesar de o Tribunal Constitucional da Espanha tê-la declarado ilegal, foi válida e vinculante e seria aplicada.Ele acrescentou que o resultado final provavelmente não será apresentado ao Parlamento nesta segunda-feira ou na terça-feira.

Diálogo

 O líder catalão disse que não teve nenhum contato com o governo central espanhol e  pediu que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, diga se concorda com uma mediação das conversas sobre o futuro da região, a ser supervisionada pela União Europeia.  Puigdemont também pediu a retirada da Polícia Nacional, enviada por Madri à Catalunha, que reprimiu o plebiscito de domingo com violência e deixou cerca de 900 feridos. 

Madri voltou a ameaçar os catalães. "Se alguém pretende declarar a independência de uma parte do território em relação à Espanha, como não pode, como não está dentro de suas competências, será necessário fazer tudo o que a lei permite para impedir que isso aconteça", disse o ministro da Justiça Rafael Catalá,  ao ser questionado sobre  a invocação do artigo 155 da Constituição espanhola, que permite intervir na autonomia de uma região, caso "não sejam cumpridas as obrigações que a Constituição ou outras leis impõem".

Em Madri, o premiê Mariano Rajoy planeja coordenar os próximos passos em uma reunião com Pedro Sánchez, líder do opositor Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Diplomacia

  A União Europeia (UE) e a ONU  defenderam que o governo espanhol para que estabeleça um diálogo com os separatistas catalães, dispostos a declarar de forma unilateral a independência da Catalunha, um dia depois do referendo de autodeterminação proibido pela Justiça e marcado pela violência policial.

Em um comunicado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu ao governo conservador de Mariano Rajoy investigações "completas, independentes e imparciais" sobre "todos os atos de violência" ocorridos no domingo na Catalunha.

Por sua vez, a União Europeia pediu a Madri e Barcelona "que passem rapidamente do confronto ao diálogo", porque "a violência nunca pode ser um instrumento de política".

 

Protestos

A intensa mobilização das últimas semanas deve prosseguir nas ruas da Catalunha, com uma greve geral convocada para terça-feira (3) na região por 44 organizações, incluindo os dois maiores sindicatos - União Geral de Trabalhadores (UGT) e Comissões Operárias (CCOO).

Nesta segunda-feira, dois protestos foram convocados para o centro de Barcelona: um deles, na Praça Universidade, onde centenas de pessoas gritavam "as ruas serão sempre nossas"./ AFP, REUTERS e EFE

 

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