Andreu Dalmau/EFE
Andreu Dalmau/EFE

Madri avança em punição à Catalunha

Líder catalão repassa ao Parlamento regional última palavra sobre data da votação antecipada ou declaração de independência unilateral

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 13h28
Atualizado 26 Outubro 2017 | 22h15

Uma comissão do Senado da Espanha que analisa a suspensão da autonomia da Catalunha aprovou nesta quinta-feira, 26, a ativação do Artigo 155 da Constituição por parte do governo. No colegiado, o “sim” venceu com 22 votos a favor, sendo 15 do conservador Partido Popular (PP), liderado pelo primeiro-ministro, e 7 do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). 

Cinco senadores votaram contra o Artigo 155, todos eles de legendas nacionalistas catalãs, bascas e do partido de extrema esquerda Podemos. A suspensão da autonomia catalã será votada nesta sexta-feira, 27, pelo plenário do Senado. 

O governador da Catalunha, Carles Puigdemont, descartou nessa quinta-feira, 26, fixar a data das eleições antecipadas para sair do impasse político e evitar que a administração regional seja tutelada por Madri a partir de amanhã. A iniciativa joga ao Parlamento regional a decisão sobre se fixa a data do pleito ou se declara a independência unilateral e a consequente secessão da Espanha, em uma sessão que deve acontecer ainda hoje ou até a sexta-feira.

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Puigdemont tomou a iniciativa no final da tarde, em um pronunciamento à imprensa espanhola e internacional que acabou adiado por duas vezes durante a tarde em razão das negociações no interior do movimento independentista. O governador confirmou que havia cogitado convocar as eleições antecipadas – na realidade, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, já as convocou, mas a data ainda não foi fixada. No entanto, argumentou Puigdemont, o governo catalão não obteve garantias de Madri de que a intervenção na administração regional não aconteceria.

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"Eu considerei a possibilidade de convocar eleições", afirmou, reclamando que o conjunto de medidas tomada por Rajoy no último sábado é uma aplicação "fora da lei, abusiva e injusta" do artigo 155 da Constituição. Segundo Puigdemont, seu governo está fazendo todos os esforços possíveis em nome do diálogo, mas sem sucesso. "Meu dever é esgotar todas as vias para uma solução dialogada e pactada", argumentou. 

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Puigdemont também responder às críticas internas que vem sofrendo por não declarar a independência unilateral. Incapaz até aqui de mediar um acordo no interior do movimento independentista, o governador lavou as mãos e passou a decisão aos parlamentares. "Corresponde ao Parlamento determinar o que fazer com a aplicação do artigo 155", sustentou, em seu discurso, justificando-se: "A sociedade catalã nos levou até aqui. Tentei ter a mesma serenidade e esgotar todas as opções que tinha em mãos."

Em uma mensagem cifrada, deu a entender que também tem críticas a segmentos do movimento independentista que quer a declaração de independência a qualquer preço. "Comprovamos com decepção que a responsabilidade exigida e pressionada chega para uns, e para outros se permite a total irresponsabilidade", afirmou. " Faz falta que se mantenham o compromisso com a paz e o civismo. Só dessa maneira acabaremos ganhando."

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Vice-primeira-ministra da Espanha, Soraya Sáenz de Santamaría fez a seguir um pronunciamento no Senado, em Madri, no qual criticou a postura de Puigdemont e dos secessionistas. "No governo da Catalunha sempre faltou responsabilidade", disparou, reclamando da negativa do governador de comparecer ao Senado para se defender nessa sexta-feira. "Puigdemont se negou de maneira contumaz a comparecer ao Parlamento da Nação ", reclamou.

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