Líder catalão pode convocar referendo para secessão

O presidente regional da Catalunha, o nacionalista Artur Mas, disse nesta quinta-feira que o governo espanhol rechaçou o pedido feito pela soberania fiscal da Catalunha e disse que anunciará "decisões transcendentes" nos próximos dias, sem esclarecer se convocará eleições antecipadas para o Parlamento regional ou um referendo de secessão. Um pouco mais cedo, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, descartou a possibilidade de um novo pacto de financiamento para a Catalunha, de acordo com Mas. O líder regional informou que, em uma reunião entre eles, Rajoy disse que "não há espaço para negociação" sobre o assunto.

AE, Agência Estado

20 de setembro de 2012 | 17h35

"Hoje se perdeu uma oportunidade histórica de entendimento entre a Catalunha e o restante da Espanha", declarou Mas em entrevista à imprensa após a reunião com Rajoy, segundo o jornal El País. O presidente da região autônoma disse que nos próximos dias será feita uma reflexão profunda sobre o debate político geral na Catalunha e, de acordo com o jornal, há expectativas de que sejam convocadas novas eleições.

A Catalunha, uma das regiões mais ricas e populosas da Espanha, está em busca de um novo arranjo de financiamento em que possa coletar seus próprios impostos e transferir para o restante do país um montante menor do que atualmente.

A crise enfrentada pela Espanha tem exacerbado o sentimento tradicional de injustiça na Catalunha. Muitos dos residentes da região, que possui língua e cultura únicas, acreditam que muito dinheiro é retirado das regiões mais prósperas do país e levado para as mais pobres. Mas a Catalunha também sofre com um pesado endividamento regional. A região pediu um socorro de 5 bilhões de euros ao governo da Espanha. Pelo menos cinco regiões espanholas já pediram ajudaram financeira ao governo central, entre elas a comunidade autônoma de Madri. O governo espanhol disse que dará o dinheiro à região da Catalunha para que sejam pagos vencimentos nos próximos meses e evitar a insolvência da administração regional. No total, a Catalunha receberá 11 bilhões de euros neste ano de assistência financeira do governo central. O volume da dívida regional catalã corresponde a quase 30% dos 145 bilhões de euros que as 17 regiões espanholas tinham de dívidas no primeiro semestre de 2012, segundo o Banco da Espanha, o banco central do país.

No momento ninguém pediu formalmente um cenário de separação e a ameaça de ruptura entre Barcelona e Madri parece distante. Não existe um marco legal que permita a separação da região do resto da Espanha e quase todas as pesquisas indicam que mais de 50% dos catalães não votariam a favor da independência.

Mas e Rajoy tiveram hoje uma reunião de duas horas durante a qual o pedido básico do político catalão foi a criação de uma Fazenda própria para a região, com o objetivo de arrecadar e gerir os próprios impostos. A resposta de Rajoy foi um não, como se esperava. Das 17 regiões da Espanha, apenas o País Basco e Navarra administram os próprios impostos. As outras 15, nas quais está a Catalunha, repassam o dinheiro arrecadado a um fundo comum que depois é redistribuído pelo governo central.

O governo espanhol instou Mas e o governo regional catalão a não apresentarem "mais complicações" em um momento de crise econômica na Europa inteira, com a Espanha à beira de pedir um resgate à União Europeia (UE), a economia espanhola em recessão e taxa nacional de desemprego em 25% da força de trabalho.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.