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Líder católico homenageia heróis americanos

Lincoln, Luther King, uma pacifista e um monge foram mencionados pelo papa em seu discurso no Congresso

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 21h34

Abraham Lincoln, Martin Luther King, uma pacifista radical e um monge católico aberto a outras religiões foram os personagens da história dos EUA escolhidos pelo papa Francisco em seu discurso ao Congresso para representar os valores de liberdade, igualdade de direitos, justiça social e busca do diálogo que, segundo ele, fazem parte da herança cultural americana.

Dois dos eleitos, Dorothy Day (1897-1980) e Thomas Morten (1915-1968) são nomes estranhos para muitos americanos de hoje, mas tiveram forte influência na primeira metade do século passado e no período posterior à 2ª Guerra. 

Influenciada pela doutrina social da igreja e escritores de esquerda, Day fundou, nos anos 30, o movimento Catholic Worker, que unia o assistencialismo à oposição a guerras e à distribuição desigual da riqueza. Atualmente, a organização tem uma rede de cozinhas comunitárias que distribui sopas aos pobres pelo país.

Morten foi um monge que inspirou centenas de americanos a entrarem em mosteiros nos anos 40 e 50 com seus escritos sobre a vida contemplativa. Autor de mais de 70 livros, ele experimentou outras práticas espirituais, em especial o zen budismo, e manteve diálogo com líderes de diferentes religiões, entre os quais o dalai lama. Como Day, também foi um pacifista.

Talvez o herói mais venerado pelos americanos, Lincoln liderou o país durante a Guerra Civil (1861-1865) que levou à abolição dos escravos, mas não ao fim da segregação entre brancos e negros em Estados do Sul. Esta só terminaria um século mais tarde, em grande parte graças à liderança de Martin Luther King.

“Uma nação pode ser considerada grande quando defende a liberdade, como Lincoln defendeu; quando promove uma cultura que permite as pessoas ‘sonharem’ com direitos plenos para seus irmãos e irmãs, como Martin Luther King procurou fazer; quando luta por justiça e pela causa dos oprimidos, como Dorothy Day fez em seu incansável trabalho; sendo fruto de uma fé que se transforma em diálogo e semeia paz, no estilo contemplativo de Merton”, disse o papa ao Congresso.

Segundo ele, esses valores inspiraram e formaram o povo americano. “É o meu desejo que esse espírito continue a se desenvolver e a crescer, para que os jovens possam herdar e viver em uma terra que inspirou tantas pessoas a sonharem.”

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