Líder chavista ameaça jornais de EUA e Espanha

Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, diz que vai processar publicações estrangeiras que o acusam de narcotráfico

CARACAS , O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2015 | 02h04

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, disse em entrevista ontem que planeja entrar com ações judiciais contra jornais da Espanha e dos Estados Unidos que o ligaram ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Há duas semanas, o Wall Street Journal noticiou que promotores federais americanos estariam juntando provas e interrogando ex-traficantes de drogas e desertores das Forças Armadas para denunciar Cabello, político número 2 do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

O jornal espanhol ABC publicou em janeiro uma reportagem que dizia que o ex-chefe de segurança de Cabello havia fugido para os EUA com provas de que o presidente do Parlamento estaria envolvido no tráfico de drogas.

Cabello nega as acusações e já processou três meios de comunicação venezuelanos por terem republicado a matéria do ABC. "Eu já processei aqui na Venezuela, mas também vou entrar com ações na Espanha e nos EUA", disse Cabello em entrevista transmitida por uma rede de TV ontem.

"Não é possível que na Espanha a imprensa possa fazer isso - sujar o nome de alguém sem qualquer tipo de prova. Nos EUA, isso também não pode acontecer."

Cabello não mencionou o Wall Street Journal ou o New York Times, que também realizou reportagem dizendo que o político estaria sendo investigado pelas autoridades americanas. No entanto, ele disse que "este cara do ABC se meteu em uma grande confusão, pois eu vou processá-lo lá na Espanha", afirmou, se referindo ao autor da reportagem.

Maduro. O Wall Street Journal e o New York Times não se pronunciaram, assim como o ABC, que ontem publicou uma nota em seu site repercutindo as declarações de Cabello. O governo do presidente Nicolás Maduro saiu em defesa do aliado, chamando as acusações de propaganda patrocinada por Washington para enfraquecer o chavismo.

Autoridades americanas dizem há muito tempo que a Venezuela se tornou o principal ponto de passagem de drogas produzidas na Colômbia e acusaram membros do alto escalão do governo em Caracas de envolvimento no tráfico. As autoridades venezuelanas negam todas as acusações. / REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelachavismoO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.