Líder chinês exibe força e escolhe reformista como vice, dizem fontes

Um membro reformista do Politburo chinês, Li Yuanchao, deve se tornar nesta semana vice-presidente do China em detrimento de um funcionário mais graduado e conservador conhecido por controlar a imprensa, segundo fontes.

BENJAMIN KANG LIM E JOHN RUWITCH, Reuters

11 de março de 2013 | 19h50

A nomeação de Li seria um sinal de que Xi Jinping, novo líder do Partido Comunista e futuro presidente do país, está ganhando influência, segundo uma fonte relacionada com a liderança nacional.

Xi, segundo essa fonte, rechaçou uma tentativa do influente ex-presidente Jiang Zemin para que o "czar" das comunicações Liu Yunshan assumisse o cargo.

A vice-presidência é um cargo decorativo, mas a nomeação de Li lhe dará mais visibilidade e espaço para atuar na política externa. Além disso, representará um sinal de força para Xi, que assumiu em novembro o comando do PC chinês e das Forças Armadas.

Em cargos anteriores que exerceu, Li defendia alguma abertura, como ao tornar mais inclusiva a seleção de funcionários comunistas. Sua promoção pode indicar que Xi aceitaria reformas limitadas.

As mudanças de liderança na China são sempre definidas nos bastidores, com frequentes atritos entre novas e velhas gerações de políticos. Duas outras fontes disseram, também pedindo anonimato, que Xi se decidiu por Li como vice, e não por Liu.

O Congresso Nacional Popular (Parlamento) aprovará Xi e Li como presidente e vice da República em 14 de março. Li Keqiang, número 2 do partido, irá suceder Wen Jiabao como primeiro-ministro, encarregado de questões econômicas e do dia-a-dia do gabinete.

Em novembro, Liu havia sido promovido ao comitê permanente do Politburo, com sete integrantes, e ficou encarregado da pasta de propaganda e ideologia. Ele também substituiu Xi em duas posições: presidente da Escola Central do Partido e secretário do Comitê Central do PC, com 205 membros.

Liu foi ministro da Propaganda entre 2002 e 2012, período em que manteve rédea curta sobre a imprensa chinesa e a Internet, que tem mais de 500 milhões de usuários no país.

Seu rival Li era amplamente cotado para o comitê central, mas os veteranos do partido, com Jiang à frente, usaram uma consulta eleitoral de última hora para barrá-lo, segundo fontes.

A nomeação como vice-presidente é "em parte uma compensação por ele não entrar no comitê central do Politburo", disse Guo Liangping, especialista em política chinesa no Instituto de Ásia Oriental da Universidade Nacional de Cingapura.

"Essa posição tem alta exposição perante o mundo, tem destaque, provavelmente mais prestigiosa, mas em termos de poder real é limitada."

Se Li for confirmado, será a primeira vez desde 1998 que o vice-presidente não é membro do comitê permanente no Politburo, principal instância de poder no país.

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