Líder conservador apóia Zapatero na busca de paz com ETA

A oposição conservadora espanhola manifestou nesta terça-feira seu apoio à iniciativa do governo do primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero de busca a paz com o grupo separatista ETA (Pátria Basca e Liberdade), que recentemente anunciou um cessar-fogo unilateral. Já o líder do conservador Partido Popular, Mariano Rajoy, vinha criticando a política de Zapatero com relação à região basca desde sua posse, em 2004. Ele acusava o líder socialista de ser volúvel demais com relação ao movimento separatista armado. Nesta terça-feira, porém, Rajoy fez um discurso conciliador depois de uma reunião de duas horas e meia com Zapatero em Madri, a primeira entre os dois desde que o ETA declarou cessar-fogo permanente, na semana passada. "Eu ofereci ao primeiro-ministro meu apoio e o de meu partido para seguir em frente (nas negociações) com o ETA", afirmou Rajoy em entrevista coletiva concedida logo depois da reunião. Ele insistiu, porém, que Zapatero precisa certificar-se de que o cessar-fogo é verdadeiro e não deve fazer concessões ao ETA. Ainda de acordo com ele, não deve haver nenhuma mudança no status da região basca como parte da Espanha. Zapatero, numa aparição inesperada depois da reunião, qualificou o encontro com Rajoy como um primeiro passo positivo na restauração da cooperação entre os dois partidos, iniciada em 2001 com um acordo de formação de uma frente unida para lidar com o ETA. Na época, os conservadores estavam no poder. O primeiro-ministro prometeu manter Rajoy a par dos desdobramentos em um momento no qual o governo tenta confirmar a autenticidade do cessar-fogo permanente do ETA e prepara-se para abrir negociações. Zapatero opinou que a Espanha alcançará a paz com os separatistas bascos com mais rapidez se os partidos políticos espanhóis - especialmente os socialistas e os conservadores - chegarem a um consenso e colaborarem mutuamente. Rajoy disse ter buscado garantias de que Zapatero não faria concessões políticas nem de outra natureza como parte de um acordo de paz definitivo e qualificou como "importante" o fato de o primeiro-ministro não ter assumido nenhum compromisso até o momento.

Agencia Estado,

28 Março 2006 | 16h47

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