Líder cumpriu 35% de promessas, diz estudo

Dos 180 compromissos assumidos por Obama na campanha de 2008, 69 não foram concretizados e 63 estão estagnados

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2012 | 03h07

Faltando apenas seis meses para as eleições, o presidente Barack Obama cumpriu apenas um terço de suas promessas de campanha. O levantamento é do site PolitiFact.com, vencedor do Prêmio Pulitzer, que monitora os compromissos assumidos por políticos americanos quando candidatos depois de assumirem o poder. Ao todo, foram 180 promessas (35%) cumpridas.

Algumas delas foram simples e bastaram uma assinatura, como a nomeação de uma assessora especial para o combate à violência contra a mulher. Outras não necessitaram acordos políticos, como seu discurso para o mundo islâmico nos primeiros cem dias de mandato. Ao mesmo tempo, Obama cumpriu promessas mais complicadas, como acabar com a tortura e encerrar as operações militares no Iraque, de acordo com o PolitiFact.com. A promessa de captura e morte de Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda, também foi cumprida pelo presidente americano.

O envio de duas brigadas adicionais ao Afeganistão, quando o atual ocupante da Casa Branca ainda dava prioridade a um aumento do contingente em Cabul, também está incluído.

O levantamento ainda indica que Obama deixou de cumprir 69 promessas, ou 14% do total, e está estagnado em 63. Outras 136 ainda estão em andamento. Se cumpridas, podem deixar o atual governo com um saldo positivo.

O presidente, por exemplo, não honrou sua palavra de eliminar os impostos para aposentados que recebem até US$ 50 mil por ano. Tampouco eliminou os cortes nos tributos para rendas elevadas instituídos nos anos de governo de George W. Bush. Companhias falidas também concederam bônus para executivos, ao contrário do que determinava Obama.

Em política externa, o presidente não criou um fundo para cuidar das centenas de milhares de refugiados iraquianos. Não fechou a prisão de Guantánamo. Fracassou em soluções para os conflitos no Chipre e também entre israelenses e palestinos. O genocídio armênio continua sem ser reconhecido.

Estas promessas quebradas, porém, não devem levar parte da base de apoio de Obama - como os jovens e as minorias negras e hispânicas - a votarem no virtual candidato republicano Mitt Romney.

"Mas há menos entusiasmo por causa da situação econômica. Embora o desemprego esteja caindo ainda é alto, especialmente entre os afro-americanos e os jovens. A equipe de Obama precisará trabalhar duro para conseguir que esta base vá votar em novembro. Eles precisarão de uma estratégia de campo muito boa em Estados como Carolina do Norte, Virginia, Ohio e Pensilvânia", disse o professor de ciência política Kerry Haynie, da Universidade Duke.

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