Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Líder da Câmara pede formalmente instauração de impeachment contra Trump

Presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, pediu o início da redação das acusações contra o presidente; em seguida, ela bateu boca com um repórter que havia questionado se ela 'odiava' Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 17h36

WASHINGTON - A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, anunciou formalmente nesta quinta-feira, 5, o início do processo de redação das acusações de impeachment do presidente Donald Trump. Pelosi não deu detalhes das acusações, mas o presidente deve ser enquadrado em suborno, abuso de poder, obstrução do Congresso e obstrução da Justiça.

Segundo  ela, as ações de Trump não dão outra opção ao Congresso a não ser agir. “Infelizmente, mas com confiança e humildade, com lealdade aos fundadores e um coração cheio de amor pelos EUA, hoje peço ao nosso presidente (da Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, Jerry Nadler) que proceda com a redação dos artigos de impeachment”, afirmou Pelosi.

“Trump se envolveu em abuso de poder, minou a segurança nacional e comprometeu a integridade de nossas eleições”, disse a democrata em uma curta declaração. “Os fatos são indiscutíveis. Se permitirmos que um presidente esteja acima da lei, colocaremos em risco nossa república.”

Como a maioria da Câmara é democrata e já expressou sua intenção de apoiar o procedimento, Trump provavelmente se tornará o terceiro presidente da história dos EUA a ter seu impeachment aprovado. O julgamento final, no entanto, será realizado no Senado, controlado pelos republicanos, que devem impedir a destituição.

Para Entender

Impeachment nos EUA já atingiu três presidentes, mas nenhum foi deposto

Os democratas Bill Clinton, em 1998, e Andrew Johnson, em 1868 foram absolvidos pelo Senado; em 1974, Nixon renunciou antes da votação

Desafiador, Trump declarou no Twitter que sairá vitorioso do processo de impeachment. “O bom é que os republicanos nunca estiveram tão unidos. Venceremos”,  escreveu. 

"Se vão me acusar, façam isso agora, rápido, para que possamos ter um julgamento justo no Senado", disse. "Revelaremos, pela primeira vez, quão corrupto nosso sistema realmente é. Fui escolhido para 'Limpar o pântano', e é isso que estou fazendo!", acrescentou Trump.

O processo de impeachment foi iniciado pelos democratas no fim de setembro, depois que o Congresso foi alertado para uma conversa entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenksi, em que o americano pede a abertura de uma investigação sobre o democrata Joe Biden, que lidera a corrida presidencial de 2020, segundo a maioria das pesquisas. Os democratas estão convencidos de que o presidente pressionou o governo da Ucrânia a investigar Biden ao reter cerca de US$ 400 milhões de ajuda militar.

'A sra. odeia o presidente?', questiona repórter 

Após o anúncio, Pelosi viveu um momento tenso com o jornalista James Rosen, do Sinclair Broadcast Group, que havia questionado se ela “odiava”   Trump.  “Não odeio ninguém. Fui criada em uma família católica e   me ressinto de você usar a palavra ‘ódio’ em uma frase sobre mim”, disse Pelosi. “Rezo pelo presidente o tempo todo. Portanto, não mexa comigo desse jeito.”e repente e se virou para ele diretamente, com o dedo em riste. Ela então voltou ao pódio para defender sua posição no impeachment. 

Mais tarde, Trump acusou Pelosi de "ter um ataque de nervos" em um tuíte postado logo após as declarações, dizendo que ele "não acredita nela, nem um pouco" quando ela diz que ora por ele. / AFP e Ansa 



 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.