Vincent Kessler/Reuters
Vincent Kessler/Reuters

Líder da extrema direita francesa perde imunidade parlamentar

Com a decisão, a deputada Marine Le Pen pode ser processada por declarações racistas feitas há 3 anos

O Estado de S. Paulo,

02 de julho de 2013 | 17h33

PARIS - A líder do principal partido de extrema direita da França, Marine Le Pen, perdeu nesta terça-feira, 2, seu direito a imunidade como deputada do Parlamento Europeu. Na prática, a medida abre caminho para que ela possa ser processada dentro do bloco por racismo. Há três anos, ela comparou muçulmanos à ocupação nazista da França, durante a Segunda Guerra Mundial.

Marine, presidente da Frente Nacional, fundada por seu pai, Jean-Marie Le Pen, disse ter sido vítima de perseguição política. Segundo ela, outros deputados europeus que respondem a acusações na Justiça mantiveram sua imunidade.

"Mantenho as minhas palavras e as defenderei no tribunal", disse a deputada. "Estou totalmente convencida de que a Justiça decidirá a meu favor e protegerá meu direito de dizer a verdade ao povo francês."

O Parlamento europeu cassou a imunidade da política francesa com base em um pedido de um tribunal de Lyon.

Um julgamento público seria um grande retrocesso para a Frente Nacional, em um momento no qual o partido busca ganhar espaço diante da perda de popularidade do governo do socialista François Hollande, fruto do mau momento econômico francês.

No ano que vem haverá novas eleições na França para eleger a bancada do país no Parlamento europeu. Na última votação, a Frente Nacional teve apenas 6% dos votos, contra 16% dos socialistas e 28% da UMP, do ex-presidente Nicolás Sarkozy.

Se condenada por incitar o crime de racismo, Marine pode ser condenada a até um ano de prisão e a uma multa de 45 mil euros. Apesar do processo, ela foi considerada a política mais popular da França por uma pesquisa do site L'Internaute, divulgada em maio./ REUTERS

 
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