Líder da guerrilha tâmil morre em bombardeio no Sri Lanka

Morte do segundo homem na hierarquia rebelde pode agravar guerra civil

Reuters, Efe e Afp, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 00h00

As forças do governo do Sri Lanka (ex-Ceilão) mataram ontem o líder político e o segundo homem na hierarquia de comando da guerrilha dos Tigres de Libertação do Eelam (Pátria) Tâmil. S. P. Thamilsel- van morreu em um bombardeio da Força Aérea cingalesa na manhã de ontem, quando realizava uma reunião com vários colaboradores em um edifício na cidade de Kilinochi, no norte da ilha.Sempre sorrindo e vestido impecavelmente, ele era o contato entre os rebeldes, conhecidos como tigres tâmeis, e o mundo exterior. Thamilselvan era o mais importante interlocutor da guerrilha com a imprensa e com diplomatas estrangeiros. Era uma espécie de secretário particular e assessor do líder do grupo rebelde, Velupillai Prabhakaran.Enquanto o governo aproveitou a morte de Thamilselvan para reafirmar à população que pode atingir o topo da hierarquia guerrilheira, analistas e diplomatas prevêem um recrudescimento do conflito entre o governo e os tigres tâmeis, agravando ainda mais a guerra civil no Sri Lanka."É difícil dizer o que acontecerá agora. A morte do segundo maior dirigente da guerrilha desmoralizará os tigres tâmeis, mas os rebeldes podem usar o fato para lançar ações mais drásticas", disse o analista político Thushara Gunaratne, editor do Lankadeepa, um dos maiores jornais do país."A morte de Thamilselvan, de maneira tão brutal, vai trazer um grande prejuízo para as negociações de paz entre governo e guerrilha", disse Jehan Perera, do Conselho Nacional pela Paz, ONG que luta por uma solução negociada para o conflito no Sri Lanka. "O mais provável agora é que os tigres tâmeis tentem pagar com a mesma moeda."Desde 1983, quando começou a guerra civil, cerca de 70 mil pessoas já morreram no país. Os tâmeis vivem no norte do Sri Lanka e acusam os cingaleses, que são 70% da população, de discriminá-los e impedi-los de ocupar empregos públicos e postos no Exército e na polícia. Os tigres tâmeis lutam pela criação de um Estado independente, o Eelam Tâmil, e tornaram-se uma das guerrilhas mais bem organizadas do mundo. Em março, o grupo lançou seu primeiro ataque aéreo contra a capital, Colombo.Nos últimos meses, no entanto, o governo do presidente Mahinda Rajapaksa parece estar ganhando terreno. Em julho, ele anunciou ter expulsado os tigres tâmeis de um de seus últimos redutos militares, na região leste do país, o que parece ter encurralado a guerrilha no norte da ilha. A luta do governo do Sri Lanka contra os guerrilheiros é apoiada pelos EUA, que consideram os tigres tâmeis uma organização terrorista.

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