Líder da Irmandade Muçulmana tem pena de morte confirmada

Tribunal egípcio ratifica decisão contra Mohamed Badie e quase 200 de seus partidários

O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2014 | 16h52

CAIRO - O líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e outros 182 membros do grupo islâmico foram condenados à pena de morte neste sábado, 21, por um tribunal de Minya, região central do Egito. Os réus são acusados de incitar a violência durante protestos realizados em agosto do ano passado, quando dezenas de cidadãos morreram em confrontos.

Segundo um advogado de defesa, quase 500 pessoas foram absolvidas. A sentença foi dada em primeira instância, portanto ainda cabe recurso. Após a divulgação da condenação, a ONG Anistia Internacional pediu a sua imediata anulação, argumentando que a Justiça egípcia deu "um enorme passo para trás" na questão dos direitos humanos.

De acordo com Hassiba Hadj Sahraoui, vice-diretora da organização para o Oriente Médio e o Norte da África, a pena capital está sendo usada pelo governo para eliminar adversários políticos. "O sistema judiciário egípcio não é mais imparcial e perdeu a credibilidade", declarou.

A sentença chega no mesmo dia em que o presidente Abdel Fattah al-Sisi, um dos líderes do golpe que derrubou Mohamed Morsi do poder em julho de 2013, fez um discurso exortando a polícia a proteger o povo, mas sempre respeitando os direitos humanos. O presidente deposto é ligado à Irmandade Muçulmana, que foi colocada na ilegalidade pela Justiça. / ANSA

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