Stefani Reynolds/EFE
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Líder da maioria republicana no Senado diz que Trump tem direito de contestar eleição

Mitch McConnell se tornou o republicano de mais alto escalão a não reconhecer o democrata Joe Biden como presidente eleito; Lindsey Graham defende candidatura de Trump em 2024

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 20h21

WASHINGTON - O líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, manteve seu apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se nega a reconhecer a derrota frente ao democrata Joe Biden. Nesta segunda-feira, ele afirmou que o presidente está no seu direito de investigar as denúncias de irregularidades nas eleições. 

Em seus primeiros comentários desde que Biden atingiu o número de delegados necessários no colégio eleitoral para ganhar a presidência, McConnell se tornou o republicano de mais alto escalão a não reconhecer o democrata como presidente eleito. Outro parlamentar que apoiou Trump foi o líder da minoria na Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy, e o presidente da Comissão de Justiça, senador Lindsey Graham, que também defendeu uma nova candidatura de Trump em 2024.

"O presidente Trump está 100% em seu direito de investigar as denúncias de irregularidades e pesar as ações legais", declarou McConnell no Capitólio, em um momento em que a posição sem precedentes de Trump de não reconhecer sua derrota está agitando o debate político nos Estados Unidos.

O republicano que chefia a bancada da maioria disse que "se desta vez houve uma irregularidade de uma magnitude que afetou o resultado, então todos os americanos deveriam querer que ela fosse exposta". "Se os democratas estão confiantes de que isso não aconteceu, eles não têm razão para temer um escrutínio adicional", acrescentou McConnell.

Trump e sua equipe insistem que a disputa ainda não acabou e vários legisladores republicanos pediram ao presidente que não reconhecesse sua derrota, apesar de a mídia americana projetar no sábado que Biden venceu a eleição com 279 votos no colégio eleitoral, superando os 270 necessários para sua vitória.

O presidente lançou várias ofensivas legais em Estados onde a disputa foi muito acirrada e principalmente no principal bastião da Pensilvânia, onde Biden tem uma vantagem de 45 mil votos equivalente a 0,67%, segundo a mídia.

O futuro de McConnell como líder da maioria está em suspenso, mas as expectativas dos democratas de tomar o controle do Senado estão cada vez mais baixas.

"O presidente tem todo o direito de investigar as denúncias e solicitar uma recontagem, de acordo com o que diz a lei", insistiu ele afirmando que os democratas não deveriam dizer como o presidente deveria aceitar imediatamente e com alegria os resultados preliminares das eleições.

McConnell acusou os adversários de terem passado quatro anos “recusando-se a aceitar a validade dos resultados da última eleição (a de 2016)”. “Algumas investigações judiciais do presidente não implicam no fim da república”, concluiu.

Após as declarações do líder da maioria republicana, o senador Lindsey Graham manifestou apoio ao colega de partido e defendeu que se os republicanos continuarem com a maioria no Senado, a Comissão de Justiça da Casa, presidida por ele, deveria abrir uma investigação sobre o impacto do voto pelo correio para a eleição presidencial. 

Na opinião do senador, o resultado final da contagem dos votos em Estados como Arizona e Geórgia mostrará uma margem muito aperta e o suficiente para se levantar dúvidas sobre os votos ausentes. 

A eleição de 2020 teve um recorde de comparecimento e de votação pelo correio, o que atraiu críticas do presidente Trump e seu governo, que têm feito alegações infundadas de fraude eleitoral.

Graham disse que se Trump perder a eleição, ele encorajará o presidente a "não deixar esse movimento morrer" e vai pedir a ele que considerasse concorrer novamente em 2024. Graham conquistou sua reeleição na Carolina do Sul na semana passada contra seu adversário democrata Jaime Harrison./COM EFE e AP  

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