Líder da oposição bielo-russa é condenado a 15 dias de detenção

O líder da oposição bielo-russa, Alexandr Milinkevich, foi detido nesta quinta-feira pelas forças especiais da polícia e condenado horas depois a 15 dias de detenção, informou seu porta-voz, Pavel Mazheika. Milinkevich foi detido na sede do jornal independente Os Bielo-russos e o Mercado, quando pretendia dar uma entrevista coletiva. Num primeiro momento, o líder opositor foi transferido para uma delegacia de polícia no centro de Minsk, onde também estava detido seu assessor Serguei Kaliakin, líder dos comunistas, e depois foi condenado num tribunal local. Segundo o site de Milinkevich, ele foi condenado devido aos grandes atos convocados na última quarta-feira pela oposição no centro de Minsk, por ocasião dos 20 anos da catástrofe na usina nuclear ucraniana de Chernobil. Milinkevich, que obteve pouco mais de 6% dos votos nas eleições presidenciais de 19 de março, consideradas "fraudulentas" pela oposição e pelo Ocidente, foi condenado a 15 dias de prisão. Na última quarta, a Promotoria da capital bielo-russa ameaçou Milinkevich caso ele dirigisse seus partidários à Praça de Outubro, palco dos protestos opositores no final de março. Diante de milhares de partidários reunidos em frente à sede da Academia de Ciências, Milinkevich anunciou na quarta-feira a criação de um novo movimento político social "Pela Liberdade", e convocou novos protestos pacíficos para 1º de maio. O número dois da oposição democrática, Anatoli Lebedko, também foi detido na última quarta-feira durante algumas horas pelas forças de segurança bielo-russa e interrogado na sede da KGB bielo-russa. "Tiraram-me do carro à força e taparam meus olhos. Dois agentes da KGB me interrogaram durante uma hora e me acusaram de terrorismo", disse nesta quinta-feira à EFE. Lebedko, líder do Partido Cívico Unificado, afirmou que o regime do presidente Alexander Lukashenko, reeleito para um terceiro mandato, "está desesperado, e seu mecanismo de defesa é a repressão". O aniversário da catástrofe nuclear é aproveitado todos os anos pela oposição bielo-russa para pedir ao governo que combata as seqüelas da radiação espalhada pela usina nuclear ucraniana. A oposição se opõe ao reflorestamento das zonas afetadas pela catástrofe nuclear de Chernobil, política defendida pelo presidente bielo-russo. Segundo os números oficiais, mais de 1,7 milhão de bielo-russos (360 mil crianças), cerca de 20% da população, ainda sofrem as conseqüências da radiação.

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 11h55

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