Presidency of Peru via EFE/EPA
Presidency of Peru via EFE/EPA

Líder da oposição critica moção para destituir presidente do Peru

Keiko Fujimori, protagonista do impeachment de outro presidente peruano, diz que o Congresso ‘tem de agir com cautela’

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 05h00

A opositora Keiko Fujimori, maior adversária do presidente do Peru, Martín Vizcarra, criticou neste domingo, 13, a moção para destituí-lo do poder, e pediu que o Congresso “atue com cautela” no processo. "Até hoje, não existem elementos suficientes, nem procedimentos necessários para destituir o presidente", afirmou Keiko em vídeo publicado nas redes sociais. 

O Congresso votará na próxima sexta-feira a destituição de Vizcarra, por suspeita de ter pedido que duas assessoras investigadas em um caso de supostas irregularidades no contrato de um cantor mentissem, segundo áudios divulgados na última quinta-feira.

A primogênita do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) e líder do partido opositor Força Popular (de direita) disse que destituir um presidente é uma medida extrema, tomada após se esgotarem todas as outras vias. "Se no caminho aparecerem elemenos adicionais que nos mostrem que esta medida é indispensável, não hesitaremos em apoiá-la. Até que isto aconteça, devemos esgotar as outras possibilidades", assinalou.

Keiko, duas vezes candidata à presidência, passou mais de um ano em prisão preventiva devido à investigação do escândalo envolvendo casos de propinas pagas pela empreiteira Odebrecht. 

Com 15 legisladores, o Força Popular é a quarta bancada no fragmentado Congresso peruano, após perder, há um ano, a hegemonia conquistada em 2016, quando Vizcarra dissolveu constitucionalmente o parlamento em meio a choques com o fujimorismo.

Na sexta-feira, o Congresso do Peru aprovou por 65 votos a favor, 36 contra e 24 abstenções, a moção de vacância, que na prática é a abertura de um processo para destituir o presidente Martín Vizcarra por “incapacidade moral”.

Se aprovada, será a segunda destituição em 20 anos no Peru. Antes da votação, o governo classificou a ação como um “golpe de Estado”.

Vizcarra, que assumiu o poder em março de 2018 após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski, do qual era vice, aparece em áudios que se tornaram públicos pedindo a seus assessores que mentissem em uma investigação parlamentar sobre um contrato polêmico com um cantor.

Ao apoiar a moção no plenário, o deputado oposicionista José Vega disse que os áudios “corroboram” as supostas irregularidades que o Congresso apura há meses.

O caso estourou em maio, quando a imprensa descobriu em plena pandemia que o Ministério da Cultura havia contratado o cantor Richard Cisneros, conhecido como Richard Swing, como palestrante e apresentador.

Cisneros se gabava na mídia de ter sido conselheiro do governo de Vizcarra. O Parlamento abriu uma investigação sobre os supostos contratos irregulares pelos quais Cisneros teria recebido US$ 10 mil.

Em três áudios divulgados no Congresso peruano na quinta-feira, Vizcarra pede às assessoras Miriam Morales e Karem Roca que mintam sobre a quantidade de vezes que Cisneros foi ao palácio do governo. “É preciso dizer que ele entrou duas vezes”, pede Vizcarra. “O que fica claro é que nessa investigação todos estamos envolvidos”, acrescenta o presidente.

A moção lembra duas iniciativas semelhantes movidas contra Pedro Pablo Kuczynski em dezembro de 2017 e março de 2018, o que levou à renúncia do ex-banqueiro do cargo de presidente.

A moção precisava de 52 votos para ser admitida para debate e para iniciar o processo formal de impeachment e votação em quatro dias. Agora, são necessários 87 votos para destituir Vizcarra, que não tem partido, nem bancada.

O vazamento dos áudios é mais um capítulo dos constantes embates entre o Congresso e o Executivo. Em setembro de 2019, Vizcarra dissolveu o Parlamento constitucionalmente e convocou novas eleições legislativas para superar outra crise. /AFP e REUTERS

 

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