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Líder da oposição de Belarus é condenado a 18 anos de prisão

Vários opositores do presidente Alexander Lukashenko foram condenados a longas penas de prisão, incluindo o líder Serguei Tikhanovski, marido da candidata a presidente nas eleições do ano passado, Svetlana Tikhanovskaya.

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 14h48

MOSCOU - Um tribunal de Belarus condenou nesta terça-feira, 14, a elevadas penas de prisão vários críticos do regime do presidente Alexander Lukashenko, incluindo Serguei Tikhanovski, o marido da opositora no exílio Svetlana Tikhanovskaya.

O tribunal considerou Tsikhanouski, um videoblogger de 43 anos, culpado de organizar distúrbios em massa e de incitar o ódio social, e aplicou-lhe uma das mais longas penas de prisão na história moderna de Belarus. Seus apoiadores disseram que as acusações foram inventadas e motivadas politicamente.

Serguei foi preso em um protesto da oposição em maio do ano passado depois de ser impedido de participar de uma eleição no final daquele ano. Ele ganhou destaque depois de comparar Lukashenko, que está no poder desde 1994, a uma barata bigoduda de um conto de fadas infantil.

Svetlana Tikhanovskaya substituiu o marido na campanha e conseguiu mobilizar, para surpresa geral, milhares de manifestantes em protestos sem precedentes contra o governo, que foram violentamente reprimidos.

"Meu marido, Serguei Tikhanovski, foi condenado a 18 anos de prisão. O ditador se vinga publicamente de seus opositores mais fortes", escreveu Tikhanovskaya no Twitter  "O mundo inteiro observa. Não vamos parar."

A professora de inglês se viu obrigada a partir para o exílio pouco depois das eleições presidenciais. Desde então, ela viaja pelo mundo e visita chefes de Estado e de governo de países ocidentais para aumentar a pressão sobre o presidente bielorrusso.

Poucas horas antes do anúncio da sentença, Tikhanovskaya publicou um vídeo em que aparecia diante de uma parede decorada com desenhos dos filhos e uma foto do marido.

Outros condenados

No julgamento também foram anunciadas as penas de outros opositores, como Mikola Statkevitch, de 65 anos e candidato à presidência de 2010, e que já havia sido detido em outras ocasiões. Ele foi condenado a 14 anos de prisão.

Artiom Sakov e Dimitri Popov, que trabalhavam para Tikhanovski, passarão 16 anos na prisão. Vladimir Tsyganovitch, criador de conteúdos críticos ao governo no YouTube, e Igor Lossik, jornalista opositor de 29 anos, foram condenados a 15 anos de prisão. 

Tikhanovski e os demais acusados eram julgados a portas fechadas desde junho. Assim que a notícia sobre o processo foi revelada, os advogados de defesa foram ameaçados de perder o direito de exercer a profissão caso falassem sobre o caso. 

As duras penas desta terça-feira são parte de um padrão de Lukashenko, que é apoiado pela Rússia, de usar os tribunais e a polícia para reprimir sistematicamente seus oponentes e críticos, prendendo-os por longos períodos ou forçando-os no exterior.

Em julho, um tribunal bielorrusso prendeu o ex-candidato à presidência, Viktor Babariko, por 14 anos, após condená-lo por acusações de corrupção que ele negou. 

Em setembro, Maria Kolesnikova, uma das líderes dos protestos de rua em massa contra Lukashenko no ano passado, foi condenada a 11 anos de prisão. 

Não houve nenhum comentário imediato de Lukashenko, cuja repressão da oposição e papel em um impasse de imigrantes com a União Europeia desencadeou sanções ocidentais contra seu país./ AFP E REUTERS

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