Líder da oposição de Uganda não consegue voltar ao país

O principal líder oposicionista de Uganda, Kizza Besigye, foi expulso de um avião que partiu do Quênia hoje, gerando um pequeno protesto rapidamente dispersado pela polícia com gás lacrimogêneo. A confusão ocorre um dia antes o presidente ugandense, Yoweri Museveni, no poder há 25 anos, assumir um novo mandato.

AE, Agência Estado

11 de maio de 2011 | 14h34

Um líder do partido de Besigye disse que o político da oposição não voltará a Uganda até sexta-feira. A Kenya Airways informou que Besigye não teve autorização para ficar a bordo porque a companhia soube que a aeronave não receberia autorização em Uganda para pousar se ele estivesse nela. Em Uganda, porém, o ministro da Informação, Kabakumba Matsiko, disse ao Parlamento que o governo não impediu o retorno de Besigye, mas o ex-presidente queniano Daniel Arap Moi estava no avião e não queria Besigye nele. O ex-presidente estava viajando a Uganda para a posse na quinta-feira.

Um porta-voz de Moi, Lee Njiru, disse que o ex-presidente não tinha qualquer poder para dizer quem deve embarcar em um voo. "Ele não tem nada a ver com isso. É uma declaração irresponsável", disse Njiru.

No mês passado, marchas contra o governo lideradas por Besigye foram a ameaça mais séria na África subsaariana aos regimes, desde o início dos protestos contra governos no Egito e na Tunísia. O grupo Human Rights Watch afirmou que as forças de segurança de Uganda mataram nove pessoas durante protestos.

Museveni chegou ao poder em 1986 e foi reeleito em fevereiro. Ele disse várias vezes que o novo governo não irá ceder aos protestos. Já Besigye disse que a Constituição do país garante seu direito de voltar.

A Kenya Airways afirmou, em comunicado, que Besigye teve a entrada negada por "fontes internas de inteligência", segundo as quais a aeronave não teria permissão para pousar se ele estivesse a bordo. A companhia informou que Besigye não pôde embarcar para que outros passageiros não tivessem inconvenientes.

Besigye ficou em segundo na disputa eleitoral. Ele já foi preso cinco vezes por liderar protestos contra a corrupção no governo e os crescentes preços.

Um membro do Parlamento queniano, Charles Kilonzo, acusou o governo do Quênia de atuar com Museveni para frustrar Besigye. Kilonzo disse que seu país trabalha com Museveni para sufocar a oposição em Uganda.

Um porta-voz do governo queniano, Alfred Mutua, negou o envolvimento do governo. Em comunicado, Mutua notou que Besigye era livre para viajar, dentro ou fora do Quênia.

Os preços de alimentos e combustíveis subiram bastante em Uganda nos últimos meses, incentivando os protestos contra o governo. Museveni disse que irá propor uma emenda constitucional para que manifestantes sejam presos por pelo menos seis meses, e não liberados no mesmo dia após pagamento de fiança. As informações são da Associated Press.

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